Cidades sustentáveis: o grande desafio

Sustentabilidade

Cidades sustentáveis: o grande desafio
Pesquisa da Fundação Dom Cabral estabelece diretrizes

 

Desde 2007, o mundo presencia uma nova realidade: mais gente mora nas cidades do que no campo. Há 100 anos, apenas 10% da população mundial vivia nas áreas urbanas, hoje são mais de 50% e a previsão é de que até 2050 esse índice ultrapasse 75%. Houve um crescimento desmedido das favelas e do trabalho informal: estimativas da ONU indicam que dois em cada três habitantes vivem em favelas ou sub habitações. E mais: dois terços do consumo mundial de energia ocorrem nas cidades que, por sua vez, geram 75% dos resíduos, promovendo ainda um processo de esgotamento dos recursos hídricos e um consumo exagerado de água potável. Em face desta realidade, o desenvolvimento sustentável tornou-se o maior desafio do século 21. Uma análise de como proceder para garantir a sustentabilidade nas cidades foi elaborada pela Fundação Dom Cabral (FDC), em parceria com o Secovi: a Pesquisa de Sustentabilidade no Desenvolvimento Imobiliário Urbano.

O conceito de cidade sustentável reconhece que é imprescindível atender os objetivos sociais, ambientais, políticos, culturais, econômicos e físicos de seus cidadãos. Ela deve procurar balancear, de forma equilibrada e eficiente, os recursos necessários ao seu funcionamento, seja nos insumos de entrada – terra, recursos naturais, água, energia e alimento –, seja nas fontes de saída: resíduos, esgoto, poluição etc.

Segundo Rafael Tello, coordenador técnico da FDC e um dos responsáveis pelo trabalho, a intenção é elaborar conceitos, temas e indicadores de sustentabilidade no desenvolvimento imobiliário urbano, assim como apresentar recomendações aos setores público e privado para a promoção de cidades mais sustentáveis. “Procuramos dar condições para que a iniciativa privada possa se conscientizar de como seu empreendimento deve impactar na sustentabilidade urbana. É importante ver como o espaço que se está construindo pode afetar a dinâmica da cidade. É preciso pensar em vários fatores, entre os quais transporte público e individual com baixas emissões, respeito ao pedestre, todos esses casos de mobilidade urbana, além de criar áreas verdes, prevenir riscos ambientais e projetar serviços próximos às áreas de residências para as pessoas dependerem menos do carro.”

“Tratando-se de escala urbana, deve-se levar em conta a resolução dos problemas decorrentes da chuva, fazer uma análise do ciclo de vida em ruas, em pavimentação, justificar investimentos em novas tecnologias que possam aumentar a durabilidade da malha de infraestrutura urbana e, com isso, trazer ganho de longo prazo principalmente para o município”, ressalta. “Sem contar a implantação de vários equipamentos, como lâmpadas LED para sinais de trânsito, por exemplo, que trazem economia de energia e de manutenção a longo prazo, entre outros aspectos.”

Projetos integrados

Rafael Tello: "A relação entre os setores público, privado e a sociedade civil é fundamental para que o processo rumo à cidade sustentável seja alcançada"

Rafael Tello: "A relação entre os setores público, privado e a sociedade civil é fundamental para que o processo rumo à cidade sustentável seja alcançada"

 

A relação entre os setores púbico, privado e a sociedade civil é fundamental para que o processo rumo à cidade sustentável seja alcançado. É consenso internacional um modelo de desenvolvimento que otimize o uso das infraestruturas urbanas e promova mais sustentabilidade: eficiência energética, melhor uso da água e redução da poluição. É um modelo baseado em um sistema de mobilidade urbana eficiente, que conecte os núcleos adensados em rede, promovendo mais eficiência nos transportes públicos. Há muitas barreiras para a promoção de projetos de desenvolvimento imobiliário urbano sustentável, como legislação de uso e ocupação do solo, adequação das infraestruturas urbanas, níveis de criminalidade e preferência dos consumidores. Várias dessas questões extrapolam a área de atuação dos empreendedores no setor da construção. Tendo consciência dos aspectos de sustentabilidade, é possível elaborar os projetos para uma integração futura com a cidade.

“Existem várias regiões nas cidades que poderiam ser melhor aproveitadas”, destaca Rafael Tello. “É o caso do Centro de São Paulo, que tem uma área grande já com edificações construídas, infraestrutura organizada, mas que está subutilizada, abandonada, invadida. O Poder Público tem de dar condições para que essas áreas sejam viáveis. Às vezes, a própria legislação dificulta. Há coeficientes que não podem ser aproveitados, por exemplo, ou questões jurídicas impeditivas, inviabilizando uma obra. Como a mão do Estado é muito pesada, esses erros podem ser difíceis de corrigir, gerando efeitos perversos que vão impedir a cidade de se tornar mais sustentável.”

Matéria do Jornal Sobloco Informa, publicação da Sobloco Construtoraproduzida pela ML Jornalismo.

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