Maturidade na indústria imobiliária

Mercado

Maturidade na indústria imobiliária
Uma análise do ex-presidente do Secovi

Ao encerrar seu segundo mandato à frente do Secovi-SP – Sindicato da Habitação, e com a sensação de dever cumprido, o engenheiro João Crestana reitera que a indústria imobiliária está no caminho certo e seu crescimento deve seguir paralelamente ao crescimento do PIB. “O ano de 2011 sucedeu ao período extraordinário de 2010, quando o Brasil cresceu 8% e as atividades imobiliárias tiveram um movimento muito forte e vigoroso. Apesar de os volumes lançados e vendidos terem tido mais ou menos a mesma dimensão, a velocidade de vendas caiu um pouco em 2011. Saímos de uma velocidade excessiva e atípica em 2010, onde se comercializava um prédio em um ou dois meses, para voltar aos níveis tradicionais de comercializar um prédio em 10 meses ou um ano. O volume de financiamentos manteve-se estável e os preços, que tinham aumentado muito, também se estabilizaram. Sobretudo a partir de 2008, houve uma recuperação em relação à década perdida de 1990 a 2000. Para este ano, a previsão é de que os preços sigam os padrões de inflação e de crescimento do país.”

A única exceção nesse contexto, segundo ele, é a cidade de São Paulo. “Com um Plano Diretor excessivamente restritivo como temos hoje, as expectativas são de problemas no futuro. As aprovações de projetos estão cada vez mais difíceis, o que deve reduzir o número de lançamentos daqui a um ou dois anos e o número de vendas daqui a três anos.”

Mercado maduro

O engenheiro ressalta que o Brasil está começando a se mostrar um país maduro, o que vem sendo acompanhado pela indústria imobiliária. “Em 10 ou 15 anos, acredito que o mercado será capaz de, sustentavelmente, prover a enorme demanda gerada por uma nova classe média que precisa de habitação.”

Ele lembra que, nos últimos cinco anos, o país seguiu critérios assistencialistas, caso do Bolsa Família, para tirar milhões de pessoas da miséria. “Foi oportuno, trouxe grandes benefícios, mas não pode ser uma solução definitiva. O importante é trazer essas pessoas para o mercado de trabalho. E quem melhor que a indústria imobiliária para abrigar milhões de trabalhadores sem qualquer qualificação? Esta é uma excelente porta de entrada e traz inclusive benefícios paralelos para a saúde pública, pois quem mora melhor tem a saúde preservada. Sem contar seu efeito multiplicador: a criação de novas moradias e escritórios incentiva centenas de outros negócios. Nosso setor é criador de empregos, incentivador indireto de várias atividades paralelas e, mais do que isso, um incrementador da qualidade de vida, responsável pela melhora do IDH do país.”

Foco na habitação popular

João Crestana afirma que no período em que esteve à frente do Secovi alguns temas foram ressaltados, com destaque para a habitação popular. “A indústria imobiliária sempre esteve voltada para aquelas faixas onde era mais fácil vender, compradores que não dependiam tanto de financiamento. Batalhamos para que o mercado para as camadas mais baixas fosse instrumentalizado, o crédito fortalecido e se criasse uma política habitacional perene.”

Outra preocupação, a seu ver, diz respeito à qualidade de vida urbana. Nesse sentido, foram organizados debates internacionais sobre a cidade compacta, em que a moradia, o trabalho e o lazer estão próximos, melhorando a mobilidade urbana, diminuindo o uso do carro e aprimorando a qualidade de vida. “Era responsabilidade do nosso setor trazer para a sociedade desafios, informações e sugestões para melhorar a qualidade de vida não só de cinco ou seis grandes cidades como também das centenas de cidades que formam o tecido urbano do país”, analisa Crestana.

Ele cita que sua gestão deu muita ênfase para a representação de condomínios. “Melhoramos nossa representatividade na cidade de São Paulo, no litoral e no interior para fortalecer o síndico e os condomínios. Procuramos levar para o interior nossas atividades também na área de habitação popular, na luta pela qualidade de vida urbana e na defesa do condomínio.”

Concluindo, o engenheiro observa que foi priorizado o conhecimento. “Entendemos que o Secovi tem de levar o conhecimento de indústria imobiliária à excelência, através de análises, cursos, publicações e a difusão das melhores estratégias tecnológicas e de mercado. Procuramos transmitir o que é a sustentabilidade no nosso setor, seus fatores econômicos, sociais e ambientais: desenvolvimento econômico e geração de lucro e de riqueza; preservação cultural e ambiental; e responsabilidade social.”

Matéria do Jornal Sobloco Informa, publicação da Sobloco Construtora produzida pela ML Jornalismo.

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