Arquivo da tag: Carlos Drummond de Andrade

O ritmo alucinante de João Gilberto Noll


…quando cheguei perto me veio uma coisa, como se fosse um veneno, e eu dei um berro, arranquei a camisa molhada do meu corpo de um só golpe, rasguei, os botões voaram, num ímpeto baixei a calça e a cueca, sacudi desembestado a perna para que a calça se desvencilhasse de mim, e agora eu vestiria a roupa seca que Kurt me dava, e depois eu iria para a cama, me sossegar, dormir quem sabe, sonhar. (trecho de O quieto animal da esquina)

Seus livros têm uma cadência musical. À medida que os lemos, vamos sentindo o ritmo, às vezes transbordante, outras vezes mais refreado. Não é por acaso. João Gilberto Noll tem estreita ligação com a música. “Quando criança, estava me encaminhando para ser cantor lírico, cantava a Ave Maria, de Schubert, em casamentos e festas”, lembra. “Até a adolescência, quando minha timidez começou a tornar dificultoso para mim o contato direto com o público. Mas eu sabia que meu universo era esse universo artístico, era por aí que eu queria seguir. Assim, fui me voltando sorrateiramente para a literatura, que é uma atividade mais solitária. Até hoje, tenho uma maneira de escrever que se assemelha à criação musical. Sou levado pelos movimentos sintáticos da frase, e isso é importante para mim, o andamento em que estou me comunicando, me expressando literariamente”.

A primeira obra foi publicada quando ele tinha 34 anos. O cego e a dançarina (1980), de contos, lhe valeu o primeiro dos cinco prêmios Jabuti que recebeu. Depois, já saíram mais 15 livros, todos muito bem recebidos pela crítica. Entre eles, os premiados romances Harmada (1993), A céu aberto (1996) e Lorde (2004), os contos Mínimos múltiplos comuns (2003) e o infantojuvenil Sou eu (2009), também indicado para o Jabuti. Sem falar em Anjo das ondas (2010), voltado para o público jovem, e Hotel Atlântico (1989), um dos que foram transformados em filme, num belíssimo trabalho de Suzana Amaral. “Ela foi soberba na adaptação do livro para o cinema, num ritmo que segue muito bem a história”, observa Noll.

Gaúcho, o escritor viveu alguns anos no Rio de Janeiro e em São Paulo antes de se estabelecer definitivamente na sua Porto Alegre. Ele afirma que gosta de escrever ouvindo música clássica, principalmente Bach, e música barroca, “que me leva ao sublime que todo artista quer atingir”, ou então numa praia do litoral gaúcho, no inverno, quando o movimento de pessoas é menor. “Quando estou trabalhando, sou tangido pelo inconsciente, não penso em nada além do livro, fico tomado pelo aspecto rítmico da linguagem. Escrevo por impulso, é uma atividade compulsiva para mim”.

“Claro que, no segundo momento, vou trabalhar o texto até as últimas consequências, aí já é um lado mais racional. Sou muito mais levado pela linguagem do que pelo conteúdo, é como na música, é mais sensitivo. Escrevo sobre o drama humano, mas para esse drama aflorar, preciso ser tangido pela linguagem. Às vezes, as frases muito longas ocupam mais de uma página porque a respiração do texto é um desvario, é ofegante, não pode parar, por o ponto final antes da hora. Outras vezes, é muito seco, uma frase é apenas uma palavra. Depende do clima da história e isso é somatizado na linguagem”.

Os livros de Noll têm características próprias, segundo ele, com algumas obsessões. “Certas coisas não largo nunca, como a solidão, a necessidade de meus personagens principais estarem em constante deslocamento, com uma identidade sempre em processo, nunca acabada, nunca definida. São personagens geralmente sem nome e sem feições. Por outro lado, a infância está sempre presente, com uma certa nostalgia desse período, mas às vezes também com horror. Sou preocupado com a integridade que poderíamos ter antes de assumir a máscara adulta, máscara que somente no amor ou na paixão talvez possa vir a se dissolver um pouco”.

Indagado sobre os autores que mais admira e que exerceram alguma influência na sua literatura, o escritor cita de imediato Clarice Lispector. “A paixão segundo G. H. marcou profundamente minha adolescência. Como é que pode um livro praticamente inteiro se passar entre uma mulher sozinha em casa e uma barata? É um livro capital na literatura brasileira. Meu gozo pela palavra é a poesia ou uma prosa mais poética, como a de Clarice. Outro gigante na palavra artística brasileira é Carlos Drummond de Andrade“.

Para Noll, literatura prazerosa é aquela que permite embarcar na aventura humana, é não saber onde vai dar o texto, é estar completamente entregue, em abandono diante de um trabalho literário que só assim pode ser consistente e, ao mesmo tempo, um belo texto. “O escritor tem de ser tremendamente fiel a si mesmo. Como um cão é fiel a seu dono, é preciso ser fiel à sua verdade interna, à sua maneira de captar as coisas. Com isso, é possível enriquecer a sociedade humana com uma percepção radicalmente pessoal”.

 

Matéria feita pela ML Jornalismo para a Revista Platero nº 18/abril, publicação da Livraria Martins Fontes http://www.revistaplatero.com.br

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Revista Platero

Fabrício Carpinejar

Liberdade na vida é ter um amor para se prender
Fabrício Carpinejar

A poesia esteve sempre presente na vida de Fabrício Carpinejar. Filho dos poetas Maria Carpi e Carlos Nejar, ele cresceu “respirando literatura”. O escritor ressalta, no entanto, que os pais nunca o pressionaram; a opção pela literatura foi um caminho natural. Aos 15 anos, começou a escrever poemas e, em 1998, lançou As solas do sol, o primeiro de muitos livros que se seguiram. Entre poemas e crônicas, foram 16 obras publicadas até agora, todas numa linguagem extremamente poética e, ao mesmo tempo, irreverente. Meu filho, minha filha traz poemas que abordam com realismo o universo da família contemporânea; Cinco Marias retrata o universo passional e sensível de uma mãe e suas quatro filhas; Um terno de pássaros ao sul são músicas em forma de poemas; Canalha!, coletânea de crônicas sobre a mudança de comportamento do homem no convívio doméstico, foi agraciado com o Prêmio Jabuti 2009. Seu livro mais recente, Mulher perdigueira, recebeu da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre o Prêmio Açorianos 2010 de melhor livro de crônicas. Original como sempre, Carpinejar defende a mulher ciumenta: “O ciúme é um exercício saudável da imaginação. É muito melhor uma mulher ciumenta do que uma mulher indiferente. Prefiro o excesso à falta”.

O humor e a fina ironia fazem parte da personalidade desse gaúcho de Caxias do Sul, que diz buscar inspiração para seus textos na banalidade da vida cotidiana. “O sobrenatural é banal, é aquilo que a gente não fala porque quer ser melhor que os outros, mas está na nossa vida, na nossa cara, na nossa frente. Aquilo que a gente pensa que todo mundo já sabe, as pessoas não sabem, e tudo o que a gente pensa que não sabem, elas sabem. O que mais gosto de fazer é desafiar as aparências. Todo meu processo de escrita vem da contação de histórias, do suspense dentro de casa. A gente aprende a se abrir, a se humanizar através da leitura”.

Colunista do jornal Zero Hora e da Revista Crescer e professor universitário da Unisinos, de Porto Alegre, o escritor prepara dois lançamentos: um livro de crônicas, mais autobiográfico, em que compara a própria infância com a infância dos filhos, e um livro de poemas. E quem quiser desfrutar de seus comentários bem-humorados, vale a pena acompanhar seu twitter (@carpinejar) e seus três blogs, que ele faz questão de atualizar constantemente. Aliás, foi assim, filosofando, que Fabrício Carpinejar selecionou seus livros preferidos para os leitores da Platero:

Belo, Belo e outros poemas, de Manuel Bandeira – pela simplicidade melódica e essa capacidade de reconhecer a si mesmo ouvindo os outros.

A paixão segundo G. H., de Clarice Lispector – não há melhor inseticida do que a metafísica!

Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa – é um livro narrado, falado, em que a voz é uma corrente oceânica. Quem somente lê em silêncio aprende a necessidade de ler em voz alta.

Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto – quando a gente canta, espanta o sofrimento. E não há vida pequena que não possa virar teatro.

Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles – o machismo da literatura brasileira terminará quando proclamarmos Cecília como a maior poeta da língua portuguesa.

Dom Quixote, de Miguel de Cervantes – a imaginação sempre conserta nossas memórias.

As cidades invisíveis, de Ítalo Calvino – ele me condicionou a viajar, sempre percebendo uma cidade como se fosse uma mulher.

Alguma poesia, de Carlos Drummond de Andrade – a timidez é a maior coragem que existe, o olhar de viés, torto, capaz de conciliar o escuro com o claro. Toda grande amizade nasce de uma desconfiança.

A poética do devaneio, de Gaston Bachelard – ele mostrou que a teoria pode não ser chata e que, para escrever sobre poesia, só poetando.

A Divina Comédia, de Dante Alighieri – a gente pensa que o Inferno é insuportável, até conhecer o Paraíso. É a maior realização lírica, quase uma bíblia profana.

Poemas de W. H. Auden – esse poeta inglês prima pelo humor e pela ironia. Reconhecemos quando uma pessoa está feliz pelo seu talento em fazer graça.

Crônicas de Rubem Braga – a delícia do cotidiano, tão insignificante, tão desnecessário. Somente o provisório é eterno. Rubem passeia enquanto muitos correm. O passeio é mais rápido, é quando deixamos o pensamento correr.

Deixe um comentário

Arquivado em Revista Platero

Palavra do autor – Edney Silvestre


Se eu fechar os olhos agora, ainda posso sentir o sangue dela grudado em meus dedos
(Trecho do livro Se eu fechar os olhos agora)

Vencedor dos dois mais importantes prêmios da literatura brasileira em 2010, o São Paulo de Literatura, como melhor autor estreante, e o Jabuti de melhor romance, o autor de Se eu fechar os olhos agora, Edney Silvestre, tem muito o que comemorar. Seu romance de estreia conquistou de imediato o reconhecimento da crítica e do público. “Ter sido considerado merecedor desses prêmios me deixa muito feliz”, afirma. “Sinto-me privilegiado em receber tanto carinho por parte dos livreiros, críticos, colegas, leitores e editores. Os prêmios levaram muita gente a tomar conhecimento do meu novo livro e estimulou a vontade de lê-lo, o que é o mais gratificante para todo escritor”.

Se eu fechar os olhos agora tem uma trama eletrizante e comovente, que prende a atenção. A leitura flui. Conta a história de dois meninos que encontram o corpo de uma linda mulher, morta e mutilada, às margens de um lago, numa pequena cidade fluminense. Assustados, eles vão à polícia, onde acabam sendo tratados como suspeitos até o marido da vítima confessar o crime. Mas os meninos não se convencem e iniciam uma investigação paralela auxiliados por um ex-preso político, o que desencadeia o suspense da trama. Ao mesmo tempo, o livro retrata o cenário político e cultural dos anos 1960, caracterizados pela corrupção, violência policial e racismo.

Segundo Edney Silvestre, todo autor se inspira no que viu, no que leu, no que observa… “Se eu fechar os olhos agora tem um pouco de tudo isso. A narrativa ancora-se na história real do nosso país, desde o período de ouro do café no Vale do Paraíba, em meados do século 19, passando pela ditadura de Getúlio Vargas, pela Guerra Fria, pelos atribulados anos 1960, até chegar aos tempos atuais, após os atentados de 11 de setembro”. Para ele, a criação é sempre um mistério, por ser imprevisível e incontrolável. “Meu processo de maturação é paulatino: levei seis anos para considerar terminado o texto deste meu primeiro romance”.

Natural de Valença, no Rio de Janeiro, Edney conta que se tornar jornalista foi uma escolha natural, porque já escrevia. Ele tem uma carreira bem-sucedida nessa área: começou na Bloch Editores, foi correspondente internacional do jornal O Globo e da TV Globo e hoje faz reportagens para o Jornal Nacional, o Bom Dia Brasil e o Jornal da Globo, apresentando ainda o programa Espaço Aberto Literatura, na Globo News, em que entrevista grandes nomes do mundo literário. “A entrevista que mais me emocionou foi a de Adelia Prado, pouco depois do diagnóstico de que ela estava curada do câncer”, lembra. “E a mais difícil foi a de José Saramago, porque exigir que nos deslocássemos até uma ilha perto da costa africana. Mas valeu a pena, pois ele se mostrou um homem brilhante e encantador”.

Quando começou no jornalismo, o escritor traduzia textos do inglês e do espanhol. “Era um tempo em que autores como Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Otto Maria Carpeaux e Carlos Heitor Cony, apenas para citar alguns, construíam suas obras literárias e trabalhavam em redações de jornais e revistas. Sempre achei que literatura e jornalismo são áreas interligadas – uma enriquece a outra”.

Na literatura, os primeiros trabalhos de Edney Silvestre foram livros de crônicas: Dias de cachorro louco, de 1995, e Outros tempos, de 2002. Em 2003, publicou Contestadores, reunindo entrevistas feitas com figuras originais e grandes pensadores, como Edward W. Said, Norman Mailer, Paulo Freire e Camille Paglia. Seus textos participam também de algumas coletâneas, como Conversations with John Updike, As grandes entrevistas de O Globo e Milênio. O escritor acredita que todos os autores que leu exerceram alguma influência em sua obra. Entre os seus prediletos, destaca Graciliano Ramos, Jonathan Swift, Carlos Drummond de Andrade, Thomas Mann, F. Scott Fitzgerald, Jack London, Albert Camus e Anton Chekhov. Da lista de autores nacionais contemporâneos, cita João Ubaldo Ribeiro, Luiz Ruffato, Cristovão Tezza, Bernardo Carvalho, Milton Hatoum, Tatiana Salem Levy, Lya Luft, Lívia Garcia-Roza, Alberto Mussa e Raimundo Carrero.

Deixe um comentário

Arquivado em Revista Platero

resgate literário – MANUEL BANDEIRA

Andorinha lá fora está dizendo:
— “Passei o dia à toa, à toa!”
Andorinha,andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa…

Como expressar o vazio de uma vida de forma mais econômica, potente e, por outro lado, até cômica? Como conseguir tamanho grau de tristeza, sem apelar para nenhuma subjetividade ou lirismo auto-piedoso? Todos sabem que rir de si mesmo é sábio e trágico ao mesmo tempo, mas poucos saberiam, como Manuel Bandeira, transformar essa verdade do senso-comum em um poema simultaneamente simples e tão contundente.

Manuel Bandeira é uma das três faces do triângulo de grandes autores da poesia brasileira, na opinião unânime de críticos, pesquisadores, professores e do público. Os outros dois são Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto. No entanto, durante toda sua vida, Bandeira fez questão de se autodenominar poeta menor. Não que na palavra “menor” haja alguma comparação de valor em relação aos outros dois, ou mesmo em relação a qualquer outro poeta, daqui ou de qualquer lugar. O termo “menor” é justamente a medida exata de sua grandeza e, quem sabe, o traço que o diferencia.

É fato que, após a invenção de sua “poesia menor”, surgiram dezenas de discípulos e de imitadores desta poesia misteriosa, que é grande exatamente por ser pequena. Mas, além do fato de ser pioneira, nenhum de seus seguidores chegou ao grau de destilação, simplicidade e perfeição a que chegou Manuel Bandeira. Sua poesia é “menor” porque é a poesia do pequeno, dito de modo pequeno.

Davi Arrigucci Junior, um dos pesquisadores que mais fundo penetraram na obra de Bandeira, diz que o poeta “desentranhava” seus poemas da língua e da vida. É justamente essa a palavra. Bandeira extrai, de coisas aparentemente inócuas, isentas de carga afetiva ou simbólica, todo seu valor poético oculto. Assim, um cacto enorme atravessado numa rua qualquer, que, ao cair, atrapalha o trânsito, lembra Laocoonte contorcendo-se em meio às serpentes, ou Ugolino, um dos condenados no Inferno de Dante. Mas tudo isso sem a menor sombra de eloquência ou elevação linguística. Seria melhor dizer que a mitologia grega e a Divina Comédia é que vêm à rua conversar com o cacto que, este sim, é “belo, áspero, intratável”, palavras que traduzem, como poucas, o caráter do nordestino encravado na cidade grande.

Da mesma forma, desentranham-se do cotidiano um gatinho descansando numa pensão burguesa, um vendedor de balões, os negrinhos carvoeiros e a tuberculose do próprio poeta, como materiais de carga poética quase imanente, como se eles emanassem poesia sem que fosse necessário tocá-los com ela. Porque, em Bandeira, é como se não houvesse esforço no ato de atribuir poesia ao aparentemente não poético. Pelos seus olhos, ou melhor, com suas palavras, qualquer coisa parece capaz de conter força de poesia, embora só as palavras de Bandeira sejam capazes de fazê-lo.

No Itinerário de Pasárgada, espécie de tesouro autobiográfico e poético, em que Bandeira narra a genealogia de vários de seus poemas, o autor conta sobre sua produção feita a partir de “alumbramentos”, um tipo de iluminação súbita de que ele era acometido e que o fazia escrever de forma urgente, como que incontrolável. É importante, entretanto, que leitores mais incautos não confundam essa ideia de alumbramento com outra ideia, sua parente, de inspiração romântica, improviso, escrita do puro sentimento. Ao contrário. Na simplicidade de Bandeira esconde-se (e mostra-se) um grande rigor semântico, musical, sonoro e especialmente rítmico.

Maior mestre do verso livre, em sua poesia sobram musicalidade, firmeza e cuidado. Seus alumbramentos, por assim dizer, são certamente fruto de uma mistura inédita e única de grande conhecimento literário, experiência (de poesia e de vida), muita leitura, intuição, pensamento e, inegavelmente, um talento poético incomparável. Como conseguir, afinal, transformar fatos de sua vida, como a tuberculose, a morte do pai, da mãe, da irmã, a infância em Recife, suas visitas a Minas Gerais, em uma poesia sem nenhuma sombra de biografismo, apelação sentimentalesca, rompantes subjetivos?

Somente Manuel Bandeira foi capaz de construir esse rio, essa casa, essa concha da língua, em que simplicidade, humor, melancolia e densidade se reconhecem para formar uma poesia total.


Noemi Jaffe é doutora em Literatura Brasileira pela USP, escritora e professora, autora dos livros Todas as coisas pequenas; Do princípio às criaturas; Folha Explica Macunaíma e Ver palavras, ler imagens, entre outros.

 


Deixe um comentário

Arquivado em Revista Platero