UM EXEMPLO DE EMPREENDEDORISMO

clique na imagem para ampliar e ler a matéria na revistaQuando criei a técnica de aproveitar filtros de café usados em meus trabalhos, nos anos 1990, havia passado por um período muito difícil na minha vida. Numa situação em que parece que a terra está caindo sobre nosso corpo, temos duas opções: ou nos deixamos enterrar ou criamos forças. Decidi, então, partir para a luta, com o apoio da Ong BSG, sociedade de criação de valores humanos em que a principal diretriz é a paz mundial. Minha visão começou a mudar e a dificuldade passou a ser o meu estímulo: quanto mais terra caía, mais eu socava para ela se tornar um degrau. Hoje minha empresa está inserida dentro do Presídio Militar Romão Gomes, onde procuro caminhar no sentido da inclusão social. Estima-se que na minha ação social sejam retirados do planeta cerca de 20 mil filtros de papel por mês. Filtros novos são doados e, posteriormente, usados e recolhidos. Esse trabalho permite a renovação do cidadão para uma categoria mais digna. Curiosamente, quando se fala de artesanato, principalmente do reciclado, o produto é encarado como trabalho de fundo de quintal. Não quero ser rude, mas fala a verdade, não foi isso que passou pela sua cabeça?! Se não, seguramente passou pela cabeça da grande maioria. Há pouco tempo, todo profissional criativo se sentia inseguro em largar um emprego fixo e formal para se dedicar à arte. E ficava frustrado por não ter a coragem de transformar em fonte de renda algo que lhe dava prazer. Lógico que isso não acontece apenas com os artesãos. Quem não conhece uma bailarina que deseja ter sua própria academia, um pintor que sonha com seu ateliê ou um médico que batalha pelo seu próprio consultório? Quem não quer ganhar dinheiro e reconhecimento com seu hobby? Claro que existem as exceções. Algumas pessoas conseguem curtir sua criatividade sem ter seu próprio negócio, mas, mais uma vez, falamos de casos raros. Provavelmente tão raros quanto aqueles que não vêem o artesanato como um trabalho de fundo de quintal. Agora, se você vislumbra que sua aptidão o leve a uma satisfação profissional, levante-se da zona de conforto e mãos à obra! Metade da sua estrutura já está montada, pois não existe artesão que não tenha garra. Porém, nem sempre o fato de ter uma boa ideia está associado ao sucesso garantido. Para que esse sonho se realize, é preciso elaborar um plano de ação que inclui, por exemplo, a avaliação do público que você vai atender, como será sua produção, qual o valor do produto, onde será vendido… Essa pesquisa é o melhor instrumento para traçar um retrato fiel do mercado, do produto e das atitudes do empreendedor. Desenvolver um plano de negócio é sinal de maturidade e planejamento – através dele, quem quiser iniciar uma empresa terá mais condições de obter êxito e promover inovações. Na minha opinião, participar de eventos como a House & Gift Fair também é necessário nos projetos de um artista. O que adianta ter uma boa ideia se ela não aparece? É preciso se mostrar para o mercado, estar na vitrine. Umas das coisas que demorei para entender é que é preciso separar a pessoa física da jurídica. Sem exagero, mudei, e isso fez toda a diferença. É um fator preponderante e eficaz, pois a ética profissional é diferente da pessoal. A pessoa física é aquela que pode levantar cedo para ir ao clube, fazer caminhada, ter um blog, fazer compras, ter um emprego. Já a jurídica é aquela que emprega, que tem obrigações legais mais rígidas, paga muito mais impostos… O ser humano é dotado de uma capacidade jurídica eminente. No entanto, desde cedo descobre que é pequeno demais para a realização de grandes empreendimentos isoladamente, o que leva à necessidade de conjugar esforços com outras pessoas. Quando temos um trunfo na mão, tudo fica mais claro. É importante perceber que sua atitude latente o levará ao sucesso ou à derrota. Tudo depende de você. Portanto, boa sorte!

*Criadora da técnica “Arte com Filtro de Café Usado”, Rosely Ferraiol desenvolve peças exclusivas desde os anos 1990. Aliando talento com sensibilidade, conseguiu transformar filtros de café usados em peças bonitas e sofisticadas. Sua fonte de inspiração partiu da estética japonesa conhecida como “Wabi-Sabi”, estilo de valorizar o belo que compõe as coisas imperfeitas.

 

Texto da revista HG Casa, publicação da Grafite Feiras produzida pela ML Jornalismo

 

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