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Quando é bom falar da vida alheia


…Parece que Leonardo só começou a usar seus cadernos de notas quando tinha por volta de 30 anos. Mas a partir daí, como seu supercérebro navegava de uma ideia a outra sem parar, ele encheu páginas e páginas com desenhos de pessoas, animais, plantas, projetos para máquinas e armas, esboços de instrumentos musicais, listas de livros e até lista de compras. (…) Leo acabou preenchendo nada menos que 13 mil páginas com notas e desenhos de quase tudo o que existe no mundo. Por isso é que ele vivia dizendo que o papel tinha acabado! (Leonardo da Vinci e seu supercérebro, da Coleção Mortos de Fama).

…Francisco nasceu em um estábulo e, assim que veio ao mundo, sua mãe colocou-o em uma manjedoura, cercado por animais. (…) Assim, Francisco nasceu como Jesus Cristo, um sinal de que se transformaria, no futuro, como seu querido Mestre, em um Herói da Verdade. Um herói que não usa a violência para acabar com a violência, usa apenas a força do amor. (Francisco – O Herói da Simplicidade, da série Heróis da Verdade).

…Chiquinha pediu ao pai e ganhou dele um piano, se dedicou muito ao instrumento, tomando aulas com um professor e praticando com seu tio e padrinho… (Chiquinha Gonzaga, da série Crianças famosas).

…Foi no convento que Chanel aprendeu a costurar. Com retalhos de tecido, fazia bonecas de pano e tiaras para o cabelo com laços de fita. Seu talento com agulha e linha transformava trapos em bonecas maravilhosas e sua criatividade fazia com que elas ganhassem vida. (Diferente como Chanel, de Elizabeth Matthews).

O que estes livros têm em comum? Eles contam a biografia de personalidades para crianças. E que criança não gosta de saber sobre a vida de pessoas famosas? Segundo a pedagoga Beatriz Gouveia, coordenadora do Projeto Além das Letras, do Instituto Avisa Lá, ler biografias para os pequenos é uma maneira de fazer com que eles se aproximem de personalidades de relevância social e cultural, conheçam um pouco a vida e a obra dessas pessoas. “Além disso, amplia o repertório sobre gêneros literários, permitindo-lhes detectar as diferenças entre cada um, tanto no tocante a linguagem quanto a estilo, assim como suas funções comunicativas – para quem são escritos, com que propósito e de que forma – , propiciando a formação de leitores e escritores”.

Ela recomenda aos professores que leiam biografias para as crianças na sala de aula. “A partir do Fundamental 1, elas já têm condições de ir se apropriando gradativamente desse gênero, com possibilidade de reescrever biografias existentes e, por que não?, escrever a própria biografia. Nesse sentido, é importante também estabelecer critérios para a escolha das personalidades que terão sua vida contada. Se ficar no que já é conhecido das crianças, elas vão se interessar pelas pessoas que estão em voga na mídia, como um artista, um cantor, um apresentador de TV. A escola tem como função social ampliar o universo cultural dos alunos e a biografia é um ótimo meio para isso. Se eles não se interessaram em conhecer, por exemplo, Portinari, Monteiro Lobato, Cleópatra ou Elvis Presley, é porque nem sabem que essas pessoas existiram. O papel do professor é trazer biografias de personalidades que tiveram relevância social de alguma natureza artística, plástica, histórica ou científica. As crianças se encantam com grandes conquistas, com pessoas que, de alguma forma, marcaram a história por feitos interessantes. Se formos ler sobre a infância de Monteiro Lobato para as crianças de 4, 5 anos, elas vão se encantar com as brincadeiras e traquinagens que o escritor fazia. Já as crianças de 8 anos vão conseguir compreender melhor esse contexto histórico e as características da época, poder comparar com o seu, da atualidade, estabelecer mais relações, novas reflexões”.

Para a pedagoga, a literatura infantojuvenil é muito rica em livros que contam a história de pessoas importantes, como a Coleção Mortos de fama, que tem até a biografia do célebre bandido Al Capone, e a Coleção A de artista. “Assim como os professores, os pais, sempre que possível, devem ler para as crianças”, afirma Beatriz Gouveia. “Isso aproxima mais a criança da leitura e se torna um momento prazeroso, em que a família se reúne de uma maneira afetiva”.

Mais histórias para encantar as crianças

Coleção Meu nome é… : Picasso; Mozart; Vincent van Gogh; Marco Polo; Alexandre, o Grande; Charles Darwin; Leonardo da Vinci
Coleção Mortos de Fama: Isaac Newton e sua maçã; Albert Einstein e seu universo inflável; Cleópatra e sua víbora; William Shakespeare e seus atos dramáticos; Joana D’Arc e suas batalhas; Al Capone e sua gangue; Espártaco e seus gloriosos gladiadores; Elvis e sua pélvis
Coleção Crianças Famosas: Monteiro Lobato; Villa-Lobos; Castro Alves; Portinari; Cecília Meireles; Chiquinha Gonzaga; Michelangelo; Toulouse-Lautrec; Chopin; Schubert
Coleção Biografias Brasileiras: Tarsila do Amaral; Machado de Assis; Monteiro Lobato
Coleção Mestres das Artes no Brasil: Tomie Ohtake; Alfredo Volpi; Alberto da Veiga Guignard; José Ferraz de Almeida Junior
Rui – Pequena história de uma grande vida, de Cecília Meireles.
A infância de Tarsila do Amaral, de Carla Caruso.

 

Matéria da seção Espaço Jovem da Revista Platero nº 21/julho  www.revistaplatero.com.br.

A Revista Platero é  produzida pela ML Jornalismo para a Livraria Martins Fontes

 

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O leitor indica – Comentários de Marcelo Coelho


“Quanto mais palavras e formas de organizá-las uma pessoa tiver à sua disposição, mais rico é o seu mundo”, define Marcelo Coelho, lembrando uma ideia do filósofo Ludwig Wittgenstein. Considerado um dos maiores ensaístas brasileiros da atualidade, Marcelo tem uma escrita virtuosa em termos de sintaxe e de vocabulário, com certa facilidade retórica. “Certamente, o estilo ‘enxuto’ não é comigo!”

Formado em ciências sociais pela USP, após um período atuando como professor universitário ele passou a se dedicar ao jornalismo. Começou na Folha de S. Paulo como editorialista. Hoje escreve também para o caderno Ilustrada e, sob o pseudônimo de Voltaire de Souza, colabora diariamente no jornal Agora São Paulo. O escritor criou um tipo particular de crônica, mesclando o ensaio acadêmico, o resenhismo dos cadernos culturais e os comentários do cotidiano, como se vê em muitos artigos seus: (…) O fato é que algumas pessoas costumam falar mal umas das outras, mesmo quando não necessitam de informação, de ajuda, de conselho ou de aspirina. Escrever, para mim, origina-se desse mesmo impulso. Com duas diferenças, ambas determinadas, aliás, pelo meio que se emprega. Em primeiro lugar, a comunicação escrita dura mais do que uma fala casual. Em segundo lugar, o interlocutor está ausente. De modo que se em certas circunstâncias prefiro escrever a falar, é porque imagino que: um, minha mensagem interessa a um maior número diário de relações; e dois, o que estou dizendo não é para ser esquecido logo depois de ter sido pronunciado.

O jornalista conta que sempre gostou muito de ler. “Como inúmeras pessoas da minha geração no Brasil, comecei com o Pato Donald e Monteiro Lobato. Meus pais tinham muitos livros em casa, principalmente em francês e, quando fiquei maior, fui explorando o que tinha à mão”. Esse gosto levou-o ao caminho da literatura. Seu primeiro livro, Noturno (1992), é uma mistura de memória e ficção, escrito numa prosa poética. Em Jantando com Melvin (1998), tudo se passa durante um jantar. É bem diferente, mais sarcástico, preso a um esquema narrativo, com uma profunda crítica social. Patópolis (2010) é um projeto antigo, também entre memória e ficção, “em que recupero as experiências mentais e emocionais de um pequeno leitor de histórias em quadrinhos nos anos 1970”. São de sua autoria também as obras infantis A professora de desenho e Minhas férias; as coletâneas de artigos publicados na Folha de S. Paulo Gosto se discute e Trivial variado; e Folha explica: Montaigne, uma introdução à obra do pensador francês.

Para os leitores da Revista Platero, Marcelo Coelho preferiu indicar alguns livros “que se parecem com o que escrevo, ou nos quais me inspiro”:

A Adalgisa, de Carlo Emilio Gadda, é um clássico da moderna literatura italiana, feito de uma efusão enorme com a vida das pessoas comuns, só que cercada de grande aparato erudito e digressivo, que torna tudo mais divertido e fantástico.

Viagem à Terra das Moscas, de Aldo Buzzi, mantém-se nessa mesma tradição, de forma mais despretensiosa; o estilo é uma pura associação de ideias, com uma leveza imensa. Traz a sensação de que, afinal, todo mundo é livre para escrever o que bem entender.

Pinóquio: Um livro paralelo, de Giorgio Manganelli, é uma investigação genial e muito engraçada sobre as entrelinhas do clássico infantil, e seria aquilo a que Patópolis aspirou ser.

Os ensaios, de Montaigne, é outra aula de liberdade de pensamento e de escrita, tão viva hoje quanto há 500 anos.

Nessa linha da literatura do “eu”, seria necessário citar The Prelude, autobiografia em versos de William Wordsworth, certamente uma inspiração importante para Em busca do tempo perdido, de Proust, um romance de reflexões e descobertas. Suas teorias sobre o que é a vida, a beleza, o pensar, o escrever vão se espalhando ao longo da obra, na medida em que acontecem todos os tipos de reviravoltas, emoções, traições. Recomendo ler de cabo a rabo, porque os últimos volumes estão cheios de surpresas a respeito do que acontecia nos primeiros.

Matéria feita pela ML Jornalismo para a Revista Platero nº 19/maio, publicação da Livraria Martins Fontes http://www.revistaplatero.com.br

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PALAVRA DO AUTOR: Pedro Bandeira

É impossível falar de literatura nacional infantojuvenil sem citar Pedro Bandeira. Ele é o autor recordista de vendas no Brasil – mais de 20 milhões de exemplares – e um dos preferidos da garotada. Seu título mais famoso, A droga da obediência, primeiro da série Os Karas, cuja trama é um mistério policial em que os detetives são um grupo de adolescentes, participou da formação de mais de um milhão de jovens e continua fazendo a cabeça das novas gerações. Entre suas 80 obras publicadas, destacam-se as românticas histórias Minha primeira paixão e A marca de uma lágrima, que abordam os encontros e desencontros do amor; O mistério de Feiurinha, um sucesso adaptado para o cinema com Xuxa e Sasha como protagonistas; a série Meus medinhosA pequena bruxa, O pequeno bicho-papão e O pequeno fantasma – , que ajuda os pequenos a lidar com seus temores. E ainda há muito mais: Rosaflor e a Moura Torta, As cores de Laurinha, Agora estou sozinha…, Mais respeito, eu sou criança!, A menor fazedora de mágicas do mundo, A onça e o saci

Seu mais recente lançamento, Kindilín na floresta encantada, é, na opinião do próprio autor, um dos mais lindos trabalhos de arte jamais feitos em um livro no Brasil. “O mérito é muito mais do Rogério Borges, por seu brilhante trabalho como ilustrador, do que meu, como escritor”, comenta. “O Rogério levou cinco anos para fazer as 20 pranchas que compõem o livro. Não dá para descrevê-lo. É tão original, tão brilhante do ponto de vista plástico, que confirma o mote: imagens valem mais do que mil palavras!”

Criatividade não falta a esse santista que, entre outros prêmios, conquistou os cobiçados Jabuti e APCA. Para ele, todas as experiências vividas acabam sendo fortes fontes de inspiração. “Já tive ideias durante uma furiosa crise de enxaqueca, já criei um livro a partir do ganido de um cão… Todo mundo vê o que o artista vê; a diferença está na maneira de olhar. A inspiração vem também dos próprios livros que li. Algumas referências literárias me influenciaram muito, como Monteiro Lobato, Robert Louis Stevenson e Mark Twain, além do teatro e do cinema”.

Pedro Bandeira diz que até de cartas e e-mails que recebe – uma infinidade! – tira ideias para suas histórias. “Ao longo dos quase 30 anos de profissão, pude acompanhar o crescimento de muitos leitores. Recebo seus convites de casamento, depois a notícia do primeiro filho, fotos das crianças crescendo e tomando contato com minha obra pelas mãos dos pais, que dizem ter aprendido a amar a leitura por causa dos meus livros. Uma dessas leitoras começou a me escrever aos 10 anos, foi crescendo e não parou mais, falando do seu namorado, dos seus sentimentos e chegando a me confidenciar quando teve sua primeira relação sexual. Hoje ela é promotora de justiça e se tornou uma grande amiga. Algumas cartas são curiosas, como a de um menino que me pediu para lhe enviar uma bicicleta vermelha; outras são tristes, como o desabafo de uma menina que dizia que apanhava muito do pai e não sabia o que fazer”.

O autor admite que seu grande estímulo para escrever é justamente a aceitação que tem recebido ao longo dessas três décadas. “Será que meus livros agradam porque não pretendem ensinar nada? Será que é porque eu realmente penso nos meus leitores quando escrevo? Ou é porque, para mim, meus leitores são mais importantes que minha obra? Não sei… Sei apenas que é tudo muito gratificante. Trabalhar com arte é sempre prazeroso. Trabalhar com educação é ainda melhor”.

Pedro Bandeira conta que a Livraria Martins Fontes teve muita influência em sua vida. “A Martins Fontes começou em Santos, com uma loja perto da Praça da Independência, um ponto importante para nós, adolescentes do final da década de 1950 e início dos anos 60. Metidos a intelectuais, fazendo teatro com Plínio Marcos e ouvindo as conversas de Patrícia Galvão, a famosa Pagu, nós estávamos sempre às voltas com os livros, frequentávamos a livraria. Eu tinha uma conta lá. Pegava as obras, o Waldemar anotava num caderno, e eu ia pagando aos poucos, quando podia. Ele nunca cobrava, mas a gente pagava tudo direitinho, até o último tostão. Bons tempos aqueles!”

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Monteiro Lobato: uma paixão nacional

Seu talento conquistou gerações seguidas de leitores. Quantos brasileiros pegaram o gosto pela leitura através de seus livros e até hoje o elegem como o maior escritor infantil de todos os tempos. Monteiro Lobato, o genial criador dos divertidos e inesquecíveis personagens do Sítio do Picapau Amarelo, compreendeu como poucos a cabeça das crianças. E que riqueza de imaginação! A curiosidade sem-fim da boneca Emília, brejeira e insubordinada como o próprio autor, que sempre foi franco e direto em suas opiniões; as explicações do cultíssimo Visconde de Sabugosa; as aventuras de Pedrinho e Narizinho e suas incursões pelo universo dos seres encantados, fábulas e lendas mitológicas; os causos misteriosos contados por Tia Nastácia; os interessantes serões de Dona Benta, em que ela recontava clássicos da literatura de um jeito muito sedutor… Tudo em sua literatura contribui para envolver e cativar.

Autêntico, com uma visão aguçada dos problemas políticos e econômicos do país, o escritor não relutava em criticar e denunciar o que estava errado. Essa firmeza era uma de suas características marcantes, inclusive quando se posicionava no campo da literatura. Combatia veementemente, sem jamais perder o senso de humor, as regras de ortografia, por exemplo, qualificando o uso exagerado de acentos como imbecilidade pura. Sobre a vendagem de livros no Brasil, comentou: Se o livro não se vende é porque não presta, isso em português claro. Os bons livros vendem-se muito bem. Os maus não, os leitores não compram, recusam. Eu acho que essa situação está na perfeita normalidade. Também se recusou gentilmente, por coerência e fidelidade a si mesmo, a aceitar a indicação para fazer parte da Academia Brasileira de Letras. (…) Mal comportado que sou, reconheço o meu lugar. O bom comportamento acadêmico lá de dentro me dá aflição

José Bento Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, interior de São Paulo, em 18 de abril de 1882. Cresceu numa fazenda e queria ser pintor, pois desenhava muito bem. Devido à oposição dos pais, entretanto, formou-se em Direito e acabou canalizando sua veia artística para a escrita, transportando para a literatura suas vivências como fazendeiro, como diplomata e até como leitor, ao fazer versões infantis de obras clássicas. Começou escrevendo para o público adulto, e já no livro de contos inaugural, Urupês, imprimiu um forte cunho nacionalista, introduzindo termos e tipos peculiares – como o Jeca Tatu – para falar das coisas de sua terra. Mas foi com o público infantil que ele obteve total ressonância. As crianças dizem que eu escrevi pouco para elas, que eu deveria ter escrito muito mais. E eu creio que sim. Eu perdi tempo escrevendo para gente grande, é uma coisa que não vale a pena, disse ele na última entrevista que concedeu a um radialista, dois dias antes de falecer por causa de um derrame, em 4 de julho de 1948.

Desde 2007, sua obra vem sendo relançada pela Editora Globo com projeto visual totalmente reformulado e ilustrações de diferentes artistas gráficos. Entre as novas publicações, encontra-se a extensa série de títulos infantojuvenis, como Viagem ao céu; Reinações de Narizinho; Caçadas de Pedrinho; O Picapau Amarelo; A reforma da natureza; Memórias da Emília; Emília no País da Gramática; Histórias de Tia Nastácia; Aventuras de Hans Staden; O Minotauro; Os doze trabalhos de Hércules; O poço do Visconde; Dom Quixote das crianças – puro encanto, em qualquer idade – e outros.

“A fantasia e o humor, uma homenagem à inteligência dos leitores, assim como o coloquialismo da linguagem, estão na base da ampla aceitação da obra lobatiana”, considera a escritora, professora e especialista em literatura Marisa Lajolo. Grande estudiosa de Monteiro Lobato, ela é autora e organizadora de vários livros sobre o escritor, entre eles Monteiro Lobato, um brasileiro sob medida, narrando fatos de sua vida, e Monteiro Lobato livro a livro – premiado com o Jabuti na categoria melhor livro de não-ficção 2009 -, que focaliza toda a trajetória da obra infantil de Lobato, mostrando como ele era sensível às expectativas de seu público e antenado com seu tempo.

Fruto de sua extraordinária capacidade inventiva, a obra de Monteiro Lobato se destaca também pela cuidadosa elaboração. E isso não aconteceu por acaso. Segundo Marisa Lajolo, o escritor era um trabalhador absolutamente incansável, que fazia e refazia os textos, mudava título, tirava capítulo, mexia e remexia em tudo até chegar aonde queria. A identificação com as crianças fica por conta do espírito insubordinado do autor que revolucionou o ambiente de aprendizagem: “Era no sítio que as crianças aprendiam”, ressalta Marisa. “Os livros ‘paradidáticos’ de Lobato nunca se apresentam como ‘parceiros’ ou ‘aliados’ da escola. Os personagens, inclusive, volta e meia dizem que a escola é enfadonha e que o bom é aprender com Dona Benta. Essa irreverência com a instituição escolar estabelece uma cumplicidade com o leitor, que retribui se tornando leitor cativo”.

 

Matéria da Revista Platero, produzida pela ML Jornalismo para a Livraria Martins Fontes

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Revista Platero nº 12/outubro

Na Revista Platero deste mês:

ESPAÇO JOVEM: As ilustrações não apenas enfeitam o livro, mas acrescentam conteúdo, diverstindo e comovendo o leitor

PALAVRA DO AUTOR: Para Pedro Bandeira, todo mundo vê o que o artista vê; a diferença está na maneira de olhar

RESGATE LITERÁRIO: Monteiro Lobato e seu inesquecível Sítio do Picapau Amarelo, para sempre na memória e no coração dos brasileiros

VIAGEM: Palenjar bem o roteiro é o ponto de partida para realizar as férias de seus sonhos

 

 

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Monteiro Lobato, sempre atual

O Minotauro, escrito por Monteiro Lobato em 1939, é uma das mais lembradas aventuras da turma do Sítio do Picapau Amarelo. Agora, o mito ganhou nova edição, com ilustrações do premiado Odilon Moraes.

Resenha:
Ninguém chamou mais a atenção de Dona Benta naquela festa do que um jovem de nariz feio. A sábia senhora, matriarca do Sítio do Picapau Amarelo, encontrava-se emocionada diante de ninguém menos do que o jovem Sócrates, que viria a se tornar um dos maiores filósofos de todos os tempos. Enquanto a avó e sua neta Narizinho frequentavam os elegantes salões atenienses do século de Péricles, Emília, Pedrinho e o Visconde de Sabugosa se envolviam numa aventura com os semideuses e as criaturas mitológicas da Grécia Antiga.

Mas, afinal, o que o pessoal do Sítio estava fazendo tão longe do Vale do Paraíba e tantos milênios no passado? Óbvio! Eles foram até lá para salvar a Tia Nastácia, que havia sido raptada por monstros no casamento da Branca de Neve enquanto se distraía com o cozimento de mil faisões…

Foram relançados, também pela Editora Globo, outros três clássicos de Monteiro Lobato, cada um ilustrado por um artista diferente! Histórias de Tia Nastácia recebeu os desenhos de Cláudio Martins, Peter Pan foi ilustrado por Fabiana Salomão e Aventuras de Hans Staden ganhou as ilustrações do artista plástico Luiz Maia.

Sempre vale a pena reler e relembrar as histórias que povoaram a mente brincalhona do eterno Monteiro Lobato. Afinal, como bem disse certa vez a escritora Tatiana Belinky em entrevista para a ML: “O adulto inteligente entende muito bem as coisas de criança”.

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