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Mário de Andrade: líder modernista


Figura proeminente na histórica Semana de Arte Moderna, ocorrida em fevereiro de 1922 na cidade de São Paulo, Mário de Andrade foi um dos líderes do movimento de renovação literária e artística no país. Transgredindo normas e conceitos tradicionalistas, criou uma linguagem própria, autenticamente brasileira no conteúdo e na forma, com o respaldo de sua vasta erudição. Reinventou palavras e grafias, produzindo textos em prosa e verso que mais parecem falados do que escritos, num estilo ágil, solto e coloquial.

Nesse novo contexto, ele procura realçar a identidade nacional, seja ao descrever situações e emoções cotidianas, seja ao retomar temas e personagens folclóricos, ou ainda quando incorpora de maneira espontânea vocabulários de origens diversas, desde o africano, o indígena e o sertanejo até os neologismos e estrangeirismos dos imigrantes que aqui se radicaram. Seu jeito franco e direto de retratar os acontecidos, lançando um olhar irônico sobre as diferentes faces da sociedade, surpreende e cativa ao mesmo tempo. A hipocrisia da elite burguesa, por exemplo, vem à tona em sátiras divertidas como “Moral Quotidiana” (um dos contos de Obra imatura) – encenação trágica entre a amante, a mulher e o marido, cujas falas são endossadas ou rechaçadas pelos coros de ‘senhoras e senhores casados’ e de ‘senhoras e senhores idosos’.

Dinâmico e versátil, Mário de Andrade (1893-1945) destacou-se pela atuação em várias áreas: foi músico, pesquisador de etnografia e folclore, poeta, contista e romancista, crítico e correspondente cultural (trocava cartas assiduamente com colegas como Manuel BandeiraCarlos Drummond de AndradeOswald de AndradeTarsila do AmaralFernando Sabino), além de exercer funções públicas que lhe permitiram implantar projetos relevantes no campo das artes.

Por essa reconhecida riqueza intelectual e capacidade de ação, determinante no desenvolvimento de uma nova mentalidade cultural, assim como pela influência que exerceu em sua época e nas gerações posteriores com a ousada inovação na linguagem, priorizando a fala popular em vez do português correto, o resgate de suas obras pela Editora Agir é motivo de justa aclamação. Fruto de um trabalho em parceria com a Equipe Mário de Andrade do Instituto de Estudos Brasileiros da USP, as edições vêm com prefácios e depoimentos inéditos.

Macunaíma – O herói sem nenhum caráter, marco da literatura modernista, é um dos destaques da série. O romance reúne lendas e mitos indígenas e folclóricos, propiciando uma experiência única de contato com o linguajar corrente no país e a essência do comportamento brasileiro, em suas virtudes e defeitos. O personagem Macunaíma simboliza o sujeito esperto e irreverente, preguiçoso, malandro, capaz de exercer influência sobre os que estão ao redor e de se sair bem sem precisar de muito esforço e trabalho.

Entre os outros livros relançados, encontram-se Obra imatura, coletânea de poemas, contos e ensaios; Amar, verbo intransitivo, no qual se sobressaem as análises psicológicas e a denúncia da hipocrisia; e Os filhos da Candinha, crônicas de humor e ironia selecionadas pelo próprio Mário de Andrade.

Foi publicado também um volume especial de Os contos de Belazarte, que traz narrativas realistas, ambientadas nos bairros pobres da cidade de São Paulo, na voz do alter ego do autor. A edição abre com um clássico da literatura nacional, “O besouro e a Rosa”, que já prenuncia o tom de oralidade: Não acredito em bicho maligno mas besouro, não sei não. Olhe o que sucedeu com a Rosa… Dezoito Anos. E não sabia que os tinha. Ninguém reparara nisso. (…) Porém Rosa continuava com sete, pelo menos no que faz a alma da gente. (…) Rosa, mocetona já, era infantil e de pureza infantil. Que as purezas como as morais são muitas e diferentes… Mudam com os tempos e com a idade da gente…

Matéria da Revista Platero  http://www.revistaplatero.com.br/n2/resgate_literario.htm

A Revista Platero é  produzida pela ML Jornalismo para a Livraria Martins Fontes

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Teatro – O amor e outros estranhos rumores

Grupo 3 de Teatro encena histórias fantásticas de Murilo Rubião

Ao completar cinco anos de atividade, o Grupo 3 de Teatro traz para o palco a originalidade e o humor do escritor mineiro Murilo Rubião, mestre do realismo fantástico brasileiro.

Em O amor e outros estranhos rumores (direção de Yara de Novaes), Débora Falabella, Maurício de Barros, Rodolfo Vaz e Priscila Jorge estrelam três contos adaptados do autor: O Contabilista Pedro Inácio, cujo personagem calcula os custos de um amor; Bárbara, em que um marido resignado se vê diante dos pedidos incessantes e nada comuns da esposa; e Os três nomes de Godofredo, uma interpretação sobre o casamento e a solidão.

Risíveis e absurdas, as histórias compõem um espetáculo que busca expressar o quanto há de ordinário e, ao mesmo tempo, de extraordinário em nossas vidas.

“O mais estranho é o seu dom forte de impor o caso irreal. O mesmo dom de um Kafka: a gente não se preocupa mais, é preso pelo conto, vai lendo e aceitando o irreal como se fosse real”, escreveu Mário de Andrade, em 1943, sobre a obra de Murilo Rubião.

 

O AMOR E OUTROS ESTRANHOS RUMORES

Onde: Teatro TUCA
Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes
Quando: até 28 de novembro
sextas e sábados, às 21h – domingos, às 19h
Quanto: R$ 30,00 (inteira) R$ 15,00 (meia)
Informações: 11 2626 0938

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