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Xico Sá: “É na leitura que faço minha terapia e saio com força para enfrentar a vida”

Bom humor e dinamismo são características marcantes no eclético jornalista e escritor Xico Sá, que exerce várias atividades ao mesmo tempo: é colunista da Folha de S.Paulo, participa de dois programas de TV – o Cartão Verde, na Cultura, com o jogador Sócrates, e o Notícias MTV, com o VJ Cazé -, colabora com crônicas para diversos veículos, mantém o blog O Carapuceiro e ainda encontra tempo para escrever livros divertidos, como Modos de macho & modinhas de fêmea, de crônicas e costumes, e Catecismo de devoções, intimidades e pornografias, “um manual erótico de narrativas de cabeceira à moda dos velhos livros árabes e indianos do gênero”.

São de sua autoria também a novela A divina comédia da fama – Purgatório, paraíso e inferno de quem sonha ser uma celebridade e o novoChabadabadá – Aventuras e desventuras do macho perdido e da fêmea que se acha, contos e crônicas sobre a tragicomédia dos relacionamentos. Até o final do ano, planeja lançar o romance Big jato e um livro sobre a vida do jogador Sócrates, em parceria com o jornalista Vladir Lemos.

Pernambucano de origem humilde, ele costuma dizer que saiu da condição de pobreza material por obra da leitura. “Graças aos livros, pude até mesmo exercer o jornalismo de uma maneira mais interessante e escrever de forma menos chata. É na leitura, principalmente de grandes obras de ficção, que faço minha terapia e saio com força para enfrentar a vida. Como seria envelhecer, por exemplo, sem acompanhar os dramas dos personagens de Philip Roth e Coetzee?”

“Ler, para mim, funciona como oração, crença, prazer, gozo… Sem esquecer que os livros conseguem me salvar dos chatos nos ônibus ou aviões. Tenho um pesadelo recorrente: ser preso e não poder levar livros. Não ando cometendo grandes delitos, mas por via das dúvidas, é uma agonia dos diabos essa loucura noturna”.

É com esse mesmo jeito brincalhão que o jornalista mostra sua sagacidade na escolha das sugestões para os leitores da Revista Platero:

A alma encantadora das ruas, de João do Rio – o dândi carioca sabia tudo sobre a arte de flanar pela cidade e tirar dela, ainda em 1908, belas histórias.

Um bom par de sapatos e um caderno de anotações – Como fazer uma reportagem, de Anton Tchekhov – toda a riqueza de observação e detalhes que o autor usava nos seus contos e peças, a favor do jornalismo-literário em uma reportagem de viagem.

Balas de estalo, de Machado de Assis – reunião de crônicas políticas e de costumes.

Dez dias que abalaram o mundo, de John Reed – de uma forma eletrizante, punk-rock mesmo, o autor narra os acontecimentos da Revolução Russa de 1917.

Paris é uma festa, de Ernest Hemingway – as peregrinações boêmias de um dos maiores narradores americanos e sua convivência com grandes artistas franceses. Para aprender a escrever e observar o mundinho artístico.

Na pior em Paris e Londres, de George Orwell – a experiência de miserável do autor de 1984. Uma aula de escrita e humanismo pelos subterrâneos das cidades.

O segredo de Joe Gould, de Joseph Mitchell – uma aula genial de como traçar o perfil de um grande personagem praticamente anônimo de Nova York, um desses vagabundos que vemos por aí e mal sabemos da sua genialidade.

Malagueta, perus e bacanaço, de João Antonio – o universo marginal dos salões de sinuca, rodas de samba e madrugadas nos bares de São Paulo, com uma narrativa coloquial.

Dicas úteis para uma vida fútil, de Mark Twain – um grande almanaque com dicas de etiqueta, moda, comportamento, costumes. Tudo da forma mais mordaz possível. Para rir e aprender.

O perigo da hora – O século vinte nas páginas do The Nation. Textos de gênios do jornalismo e da literatura, como Kurt VonnegutH.L. MenckenGore Vidal e John dos Passos, entre outros bambas.

O livro dos insultos, de H.L. Mencken – uma influência importante para muita gente no Brasil, como Ruy Castro e Paulo Francis. Com Mencken, você aprende a ser crítico, ácido e a ter uma pena maldita.

Etiqueta moderna – Finas maneiras para gente grossa, de P.J. O´Rourke – engraçado é pouco para descrever esse cara. Mas nunca bobo. Genial.

Medo e delírio em Las Vegas, de Hunter S. Thompson – nesta lista não poderia faltar pelo menos uma obra-prima do rei do jornalismo gonzo, a forma mais maluca e ousada de contar histórias e fazer reportagens. Para completar, a nova versão nacional do livro traz ilustrações do artista Ralph Steadman. Foi adaptado para o cinema em 1998, pelo diretor Terry Gilliam.

Matéria da revista Platero, publicação da Livraria Martins Fontes produzida pela ML Jornalismo:  http://www.revistaplatero.com.br/n7/platero2.asp

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Confira a Revista Platero

No Espaço Jovem, uma viagem pelos contos de fada de Charles Perrault, Irmãos Grimm, Hans Christian Andersen e outros. A escritora e contadora de histórias Stela Barbieri explica por que esses contos perduram por gerações e gerações.

Na seção O leitor indica, o irreverente Xico Sá, colunista da Folha de São Paulo, indica seus livros favoritos. Entre os títulos, Medo e delírio em Las Vegas, de Hunter S. Thompson: “não poderia faltar pelo menos uma obra-prima do rei do jornalismo gonzo, a forma mais maluca e ousada de contar histórias e fazer reportagens”.

Tradução: O que caracteriza uma boa tradução na opinião de nomes como Boris Schnaiderman, Modesto Carone, Mamede Mustafá Jarouche e Paulo Werneck. E em Resgate literário, um passeio pela vida e obra do russo Liev Tolstói, cem anos após sua morte.

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