Reforma tributária já!

TributosO atual sistema tributário brasileiro é complexo, caro, burocrático e favorece a corrupção

Criado em 2010, o Movimento Brasil Eficiente (MBE) tem como meta ajudar a implantar no País um ambiente favorável ao trabalho, ao empreendedorismo e ao desenvolvimento. E, para atingir esses objetivos, apresenta duas propostas concretas: a simplificação do sistema tributário, condensando oito tributos em apenas dois – o Nacional Compartilhado e o Novo Imposto de Renda; e a regulamentação do Conselho de Gestão Fiscal, com a obrigação de propor regras de contenção das despesas públicas de maneira que permitam a moderação da carga tributária.

Paulo Rabello de Castro: “Com a reforma tributária o Brasil se tornará naturalmente mais produtivo, será possível retomar investimentos e, com isso, impulsionar o crescimento”

Paulo Rabello de Castro: “Com a reforma tributária o Brasil se tornará naturalmente mais produtivo, será possível retomar investimentos e, com isso, impulsionar o crescimento”

Segundo o economista Paulo Rabello de Castro, autor do livro O mito do governo grátis e um dos coordenadores gerais do MBE, a reforma tributária está no “umbigo” do crescimento. “É ela que deflagra as outras reformas associativas ao campo tributário, como a da Previdência, por exemplo. Nosso projeto facilita a vida do contribuinte sem prejudicar as arrecadações federal, estaduais e dos municípios, sem interferir no Simples Nacional. Prevê a mudança em quatro etapas, implementadas ao longo de 48 meses. Já na largada, ganhamos todos com uma estrutura mais eficiente e menos burocrática, permitindo maior produtividade para o empresário no planejamento tributário, transparência para quem paga impostos e uma base simplificada para o início da redução gradual da carga tributária.”

“A simplificação fiscal estanca o desperdício de recursos, garante o volume atual de arrecadação e cria um ambiente favorável para se reduzir a carga tributária”

Retornos positivos

Para Paulo Rabello de Castro, os retornos são muitos, e sempre positivos. “O Brasil se tornará naturalmente mais produtivo, será possível retomar investimentos e, com isso, impulsionar o crescimento”. Ele enumera as vantagens da reforma tributária:

  • Um sistema simples, transparente e sem burocracia
  • Fim dos tributos em cascata
  • Mais eficiência na gestão dos recursos arrecadados com o Conselho de Gestão Fiscal
  • A redução da carga tributária representa um alívio para o bolso do consumidor, mais investimentos para o empreendedor e mais arrecadação para o governo, na medida em que o PIB cresce
  • Com a URV Fiscal, a redução da alíquota interestadual do ICMS terá impacto gradual sobre o incremento da arrecadação
  • A isenção fiscal de ICMS já concedida até a data de implantação da simplificação fiscal estará garantida para o empreendedor e para o Estado
  • Os estados produtores poderão conceder incentivo fiscal sobre a parcela da arrecadação que lhes pertence
  • A redução gradual da alíquota interestadual unificada para 4% é vantajosa para o país uma vez que, gradualmente, a carga é transferida para o consumo (valor agregado), desonerando a produção. Os artigos brasileiros ficam mais baratos, a arrecadação é mantida e o contribuinte não paga mais por isso
  • As aglutinações de impostos e alíquotas não acarretarão aumento na carga tributária
  • O Simples é mantido e aperfeiçoado.

Recordes indesejáveis

Mito_do_governo_grátisO economista ressalta que o atual sistema tributário brasileiro é um dos mais complexos do mundo: são mais de 80 tributos, inúmeras normas e 27 legislações distintas somente para o ICMS. “Essas normas foram reunidas e resultaram numa obra com 7,2 toneladas, 43.216 páginas, cada uma com 2,2 metros de altura e 1,4 metro de largura, um recorde que está no Guinness World Records. Outro recorde: é o país que mais consome horas para pagar impostos no mundo – as empresas gastam 2.600 horas por ano para calcular, contabilizar e pagar impostos. Para o consumidor, todo esse custo se reflete no preço final do produto. Além disso, o fluxo da arrecadação é irracional. Parte dos recursos arrecadados é remetida à União, que depois repassa de volta aos estados e municípios. Não faz sentido. É burocrático, ineficiente e favorece a corrupção.”

Na sua opinião, o sistema tributário brasileiro está em colapso e quem paga a conta é o contribuinte. “A simplificação fiscal estanca o desperdício de recursos, garante o volume atual de arrecadação e cria um ambiente favorável para se reduzir a carga tributária o que, é claro, terá impactos positivos no Custo Brasil.”

Matéria do jornal Sobloco Informa, publicação da Sobloco Construtora, produzida pela ML Jornalismo

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Sobloco Informa nº 190 – Editorial: A tão necessária reforma fiscal em nosso País

Sobloco Informa 190 - dezembro de 2014.pdf

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O jornal Sobloco Informa, publicação da Sobloco Construtora, é produzido pela ML Jornalismo

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A NOVA ESCOLA DO DESIGN CONTEMPORÂNEO

Blog da ML Jornalismo

Responsabilidade sobre o impacto ambiental é assimilada por profissionais do setor

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O fortalecimento da preocupação com o impacto ambiental, aliado à crescente oferta de matérias-primas alternativas ou ecológicas, deu origem a um novo tipo de design de produto: o ecodesign. Segundo essa concepção, todas as funções requeridas do profissional da área devem estar essencialmente voltadas ao desenvolvimento de produtos com maior relevância para as pessoas e um processo

que cause o mínimo abalo no ambiente. O impulso nas vendas das empresas passa a ser não o objetivo final, mas uma consequência desse trabalho. Com o aquecimento da economia e a maior demanda das empresas e consumidores pela inovação, aumentaram as exigências em relação a essa atividade, que, por sua vez, cresceu em importância, tornando-se relevante para o posicionamento estratégico das companhias no mercado. Somado a isso, a crise ambiental alertou para uma nova e imperiosa responsabilidade: alterar os padrões de…

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As 10 tendências capitais do branding

branding

Pautar marcas em comportamentos e combinar a história passada com alguma ousadia sobre o futuro é essencial para todas as áreas de negócios

“Muitas vezes, estamos olhando para frente pelo espelho retrovisor”, destaca Jaime Troiano, CEO do Grupo Troiano de Branding, que tem como clientes o Grupo Pão de Açúcar, Associação Comercial de São Paulo, Pepsico, Seara, Farm e Banco Itaú, entre outros. “O planejamento de marketing apoia-se, naturalmente, em inputs que vêm do mercado, de consumidores e de clientes. Se pararmos nisto, estaremos reproduzindo indefinidamente o passado. No entanto, para todas as áreas de negócio, combinar a história passada com alguma ousadia sobre como vai ser o futuro, é essencial. Nós sabemos relativamente pouco sobre os tempos que virão, mas isto não justifica a letargia de se acomodar e esperar o que vai acontecer. Mesmo porque os nossos concorrentes mais agressivos, inteligentes e determinados talvez não esperem. E, quando começarmos a fazer o que eles já fazem, nossas marcas serão apenas mais uma, um ‘me too’, serão titia boazinha sem charme.”

HG62 - Branding - Jaime Troiano

Jaime Troiano: “Mesmo sob o risco de dar uma ou outra cabeçada, vale a pena pautar-se pelo amanhã”

Segundo ele, esta é uma forma de pensar e de agir que se aplica a todas as áreas de negócio. “Um território como reforma e decoração não escapa dessa necessidade de olhar para frente. E é provável que seja um território onde essa visão do que vem por aí seja ainda mais importante. Mesmo sob o risco de dar uma ou outra cabeçada, vale a pena pautar-se pelo amanhã.”

Para ilustrar seu pensamento, ele dá como exemplo um trecho do livro Auto-engano, de Eduardo Gianetti: O fato é que se todos os empreendedores potenciais agissem como calculistas prudentes, e só fizessem novos investimentos quando estivessem de posse de tudo aquilo de que precisam para estar racionalmente seguros de que não sairão perdedores em suas apostas, o ânimo empreendedor definharia e a economia entraria em séria depressão.

Como fazer ‘a’ diferença

Jaime Troiano faz um pequeno resumo de 10 tendências que podem mexer com o seu negócio. Algumas são mais do que tendências, são princípios de trabalho já praticados em muitas organizações.

  1. Posicione marcas e produtos para comportamentos e não para pessoas. A mesma pessoa manifesta comportamentos distintos, sob circunstâncias diferentes. Ou seja, não trate seu cliente como um indivíduo que manifesta as mesmas atitudes em todas as áreas da vida. O que sente ao entrar numa loja pode ser muito diferente do que acontece quando ele entra em casa, ou no ambiente de trabalho.
  1. Entre na vida de seu consumidor, se quiser entendê-lo de fato. Os consumidores dizem o que pensam, mas fazem o que sentem. Não se contente com o que ele te diz apenas. Conviva com ele. Não espere ele entrar em sua loja ou em seu site. Entre na casa dele, entenda como é a relação que ele tem com o espaço onde habita. Seja um “voyeur social” se você quer compreender quem é a pessoa que pode se tornar seu cliente. Se você não tiver vontade ou habilidade para isso, alguém em sua empresa ou empresas especializadas em comportamento de consumidor farão isso para você.
  1. Mas nem sempre pesquisar o consumidor é a única forma para entender o que ele quer. Use e abuse de contatos com especialistas, trendsetters, isto é, com gente que enxerga o que o consumidor não é capaz de ver. Não acredite apenas no que dizem os atendentes e vendedores sobre os compradores ou consumidores. Use a experiência de quem não tem o rabo preso com seu negócio. Use a visão de quem tem pensamentos transversais e não apenas daqueles que conhecem a dinâmica comercial da sua operação.
  1. A pulverização do tempo e a fragmentação de relações sociais aumentaram o sentido de isolamento social e de individualismo. Entre outras coisas, as marcas tendem a aproximar as pessoas que as consomem, ainda que por laços pouco visíveis. Bem-vindos à era da nova “tribalização”. Tudo o que for possível fazer para que seus clientes sintam que fazem parte de uma “tribo” admirada pelos outros, melhor. E mais ainda, tudo que for possível fazer para que ele se sinta acolhido pela “tribo” ainda melhor.
  1. Estender o uso da marca para outras categorias de negócio é a bola da vez. Muitas marcas que nasceram num determinado território, vendendo certo tipo de produto ou oferecendo um tipo serviço, migraram para outras áreas. Vejam o que fez a marca Dove, a partir do produto inicial que era apenas um sabonete. Ou a marca Gillete, que a partir de lâminas de barbear criou uma linha ampla de produtos de cuidado pessoal. Isso é o que chamamos de extensão de marca. Porém, além de ser estendida horizontalmente, como nesses casos, ela pode ser estendida verticalmente para mercados com capacidade de consumo menor. Um exemplo é o Armani Exchange criado pela própria marca Giorgio Armani. Não é fácil, mas é uma grande oportunidade. E há como fazê-lo.
  1. Estender verticalmente pode ser algo feito para baixo, mas pode ser pensado também para os grupos de renda mais alta. E também há como fazê-lo. Bancos, por exemplo, como Itaú e Bradesco, criaram espaços para acomodar público de renda maior em suas extensões Personnalité e Prime. Ou a Sadia que tem a Sadia Speciale para atuar num “degrau” mais acima.
  1. Está chegando para valer a era da brand experience: locais onde você convive com a sua marca, mesmo que não seja um espaço comercial apenas. Aliás, lojas são espaços onde pode ocorrer a brand experience. Basta fazer com que o consumidor não sinta que está sendo “malhado” desde o primeiro momento em que entra. Dê a ele a chance de namorar produtos, antes mesmo que ele demonstre a iniciativa de compra-los.
  1. Duvido que você já tenha comprado um eletrodoméstico, um carro, um sofá, uma cozinha planejada sem ouvir a opinião de terceiros. A opinião de parentes e amigos, esse boca-a-boca não sofre do descrédito de muitas das mensagens comerciais e publicitárias. O boca-a-boca sobre as marcas está deixando de ser algo que as empresas torcem para acontecer. Elas estão começando a planejar para que ele aconteça. Use seus recursos digitais para ser um parceiro que potencializa o boca-a-boca sobre suas marcas e seu negócio.
  1. Design, na embalagem, na loja, no produto será cada vez mais a forma suprema de expressar o posicionamento de sua marca. Mais que isso, não se descuide de organizar todos os pontos de contato que sua marca estabelece com seus públicos. Alguém na empresa deve assumir esse papel de ser quem avalia se todas as formas de contato da marca estão integradas de uma forma sinérgica.
  1. Marcas são ativos cujo valor econômico pode ser calculado. Em algum momento do futuro este valor estará indicado nos balanços. Cuide bem de sua marca, como você cuida bem da empresa em geral.

“Muitas destas tendências já estão acontecendo. Saber como dominá-las é trocar o retrovisor pelo para-brisa”, conclui Troiano.

 

Matéria produzida pela ML Jornalismo para a revista HG Casa, publicação da Grafite Feiras

 

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Inteligência competitiva – Quando a informação pode gerar lucro

Inteligência Competitiva

Como a inteligência competitiva é importante para uma empresa saber as tendências do mercado e antecipar futuras decisões

Hoje nota-se cada vez mais as mudanças que vão acontecendo no mercado. E é importante as empresas estarem preparadas para se anteciparem a movimentos de concorrentes, de clientes, de consumo, sinais de mercado, mudanças perceptíveis que a tecnologia vem trazendo e que afetam todos os setores.

“Todo executivo experiente já sabe: uma proporção significativa do tempo de um administrador é ocupada por um processo cotidiano de tomada de decisões numerosas e variadas”, afirma Alfredo Passos, professor da ESPM, autor dos livros Inteligência Competitiva – Como fazer IC acontecer na sua empresa e E a concorrência… não levou! – Inteligência Competitiva para gerar novos negócios empresariais. “Num único dia, ele pode ser forçado a escolher um caminho futuro

Alfredo Passos: “É importante incentivar as pessoas de dentro da própria empresa a compartilharem informações”

Alfredo Passos: “É importante incentivar as pessoas de dentro da própria empresa a compartilharem informações”

para as operações da companhia, dirimir um conflito organizacional e resolver uma série de problemas operacionais corriqueiros. Por isso, é necessário um profissional dentro de um dos setores da empresa que fique atento ao que é chamado de fatores da macroeconomia, ou seja, os movimentos culturais, sociais, econômicos, enfim, tudo o que acontece no País e que, de certo modo, é um reflexo do que tem acontecido também em outros países. É necessário ver que esses movimentos também afetam os negócios. Um exemplo são as manifestações populares de junho do ano passado; elas afetaram os negócios das empresas em julho, as vendas caíram nesse período.”

O gestor precisa compreender que ele não tem só e exclusivamente um tipo de cliente, ele começa a ter vários públicos-alvo; tem de estar antenado aos jornais, ao governo, às associações, à comunidade onde ele está integrado e a muitos outros públicos, monitorando os sinais do mercado. É este o papel do profissional de inteligência competitiva ou estratégica: compreender como os movimentos externos podem impactar na empresa de forma positiva ou negativa.

 

Importância para as pequenas e médias empresas

Num mundo onde a concorrência é cada vez maior, é necessário ter alguém na empresa responsável por se inteirar do que está acontecendo na sua região; ver quem oferece os mesmos produtos ou serviços, comparando preços, promoções que estão sendo divulgadas, enfim, o que está sendo proposto pela concorrência. “A informação pode estar muito próxima e não precisa de nada tão sofisticado, só alguém com o compromisso de ficar recolhendo informações do que está acontecendo fora dos portões da empresa”, analisa Passos. “O pequeno e médio empresários costumam se concentrar onde têm mais experiência, por exemplo, no produto, e deixam um pouco de lado o comercial.”

Segundo ele, as empresas brasileiras têm uma defasagem em relação a alguns países na aplicação da IC, principalmente os Estados Unidos, onde as companhias já conhecem e aplicam a inteligência competitiva há muito mais tempo – temos mais de 10 anos de defasagem nesse conhecimento. “É importante incentivar as pessoas de dentro da própria empresa a compartilharem informações, deixarem um canal aberto para esse diálogo, ficarem atentas aos comentários dos clientes, às vezes uma boa ideia vem de forma gratuita.”

 “Falar sobre inteligência competitiva é falar sobre a necessidade de as empresas se anteciparem a movimentos e tendências que acontecem na sociedade de consumo”

A inteligência competitiva no mercado de cama, mesa e banho

Na opinião de Passos, com movimento em torno de R$ 8,5 bilhões e crescimento em torno de 0,5%, estima-se que o mercado de cama, mesa e banho tenha uma expansão de 10% em 2014. “O sonho do enxoval para a casa nova ainda continua nos planos dos brasileiros e, junto com a retomada das vendas para o mercado externo, pode assegurar este índice de expansão.”

Ele ressalta que o setor de confecções têxteis pode ser subdividido em vários segmentos como vestuário, roupas de cama, mesa e banho, artigos de decoração e artigos não-tecidos, entre outros. “E, para quem trabalha com informações e principalmente para quem vai fazer uma análise competitiva, é importante saber como segmentar o mercado e, em especial, em que grupo estratégico se está competindo. A divisão dos produtos usualmente classificados dentro do segmento de cama, mesa, banho e copa inclui edredons, colchas de cama, colchas de cobertura, fronhas e lençóis; centros e toalhas de mesa, guardanapos e jogos americanos; tapetes e toalhas de banho e de rosto,  e pode mostrar novas oportunidades pois, sem uma análise mais detalhada,  não se percebem novos mercados.”

Para o professor da ESPM, o Brasil é um grande produtor desses artigos e os confecciona com qualidade e de forma bastante competitiva. “São poucos os produtores no mundo, cabe destacar os Estados Unidos, Bélgica, Itália, Alemanha, Índia e Turquia, atuando especialmente na área de felpos. Se os principais clientes desse segmento são o pequeno varejo tradicional, grandes lojas de departamento, hiper e supermercados, lojas especializadas, shopping centers, hotéis, hospitais e restaurantes, além do mercado externo, é necessário acompanhar os movimentos de cada uma dessas empresas para antecipar movimentos da concorrência quanto a preços e promoções, entre outras possíveis ações. Afinal, quem não olhar o mercado para se antecipar às ações poderá não só perder mercado como também dinheiro.”

Matéria produzida pela ML Jornalismo para a revista Têxtil House nº 7, publicação da Grafite Feiras

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Quando o medo se torna fobia e atrapalha a vida das pessoas

No divã - © Philippe RamakersAquele que não conhece o medo não é corajoso.

Corajoso é aquele que conhece o medo e o domina. 

(Khalil Gibran, poeta libanês)

Quem nunca sentiu medo na vida? Aquela sensação de desconforto, o coração bate mais forte, o tórax torna-se mais rijo, a boca seca, muito suor, vontade de ir ao banheiro… “O medo é o sintoma central da ansiedade, podendo se manifestar como pavor ou apenas apreensão”, afirma Tito Paes de Barros Neto, médico psiquiatra e terapeuta do comportamento, pesquisador no Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e autor dos livros Sem medo de ter medo e Estimados corações – Como superar perdas. Segundo ele, é normal sentir ansiedade até o ponto de ela não interferir negativamente na vida. “A ansiedade normal protege o ser humano. Um exemplo clássico é o medo de sermos atropelados que nos faz olhar para os lados antes de atravessar a rua. Quando se torna exagerado ou irracional, o medo passa a se caracterizar fobia”.

foto: reprodução do site www.medosefobias.com.br / © Dr. Tito Paes de Barros Neto

Dr. Tito Paes de Barros Neto: “Fatores ambientais, sobretudo a atitude dos pais em relação aos filhos, podem ter importância na gênese dos transtornos de ansiedade” Foto: reprodução do site http://www.medosefobias.com.br / © Dr. Tito Paes de Barros Neto

Há vários transtornos característicos do excesso de ansiedade, entre os quais o de pânico, o de ansiedade generalizada, o obsessivo-compulsivo, o de estresse pós-traumático, a agorafobia e a fobia social, em que o elemento mais comum é o medo de ficar embaraçado ou visivelmente ansioso quando observado. O temor maior é o da avaliação negativa por parte das outras pessoas. “Ainda não se conhecem exatamente as causas desses transtornos”, ressalta Barros Neto. “No entanto, sabe-se que alguns podem ter influência genética maior que os outros. É o caso da fobia de sangue, injeção e ferimentos, em que ocorre uma queda de pressão, o coração vai batendo cada vez mais devagar, chegando inclusive a parar por alguns segundos – em 70% dos casos o transtorno ocorre em um ou mais parentes de primeiro grau”.

O psiquiatra ressalta que, em um nível menor, a genética também pode influir na eclosão do transtorno do pânico e na fobia social, que tem como um dos sintomas mais típicos o rubor facial. “Fatores ambientais, sobretudo a atitude dos pais em relação aos filhos, podem ter importância na gênese dos transtornos de ansiedade. É bom alertar os pais, desde o começo da educação, para que não sejam críticos, duros, nem valorizem a opinião alheia em excesso”.

O tratamento depende de cada tipo de transtorno. “De modo geral, medicamentos podem ser úteis no caso de transtorno de pânico, de estresse pós-traumático e fobia social, mas têm pouca serventia na maioria das fobias específicas: de altura, de voo, de lugar fechado”, diz Barros Neto. “Aí entram as técnicas de terapia comportamental: o tratamento de base é a exposição, o enfrentamento gradual e sistemático das situações que a pessoa teme. Se tem medo de altura, por exemplo, ela deve começar a se expor num prédio nos primeiros andares, depois vai galgando andares mais altos que desencadeiem um pouco mais de ansiedade, e assim até ela se ver livre do problema”.

Ele comenta que, na maioria das vezes, a pessoa consegue ela mesma fazer o necessário para se livrar da fobia. Em alguns casos, ela precisa da ajuda de um acompanhante terapêutico, que faz a chamada exposição assistida, ou do próprio profissional responsável pelo tratamento. “Tive o caso de um rapaz que sofria de fobia de altura, evitava reuniões em prédios altos e viajar de avião. Ele mesmo, sozinho, resolveu subir gradativamente os andares dos prédios, chegando até o alto do Terraço Itália. Fez também exposição na imaginação com imagens de voos e decolagens do YouTube – o que lhe dava paúra era o avião se distanciando do solo. Depois, ele fez uma seção de exposição assistida comigo num voo. Viajamos para uma cidade não muito longe de São Paulo. Então, o rapaz ficou encorajado e conseguiu viajar sozinho para o exterior”.

Tito Paes de Barros Neto acredita que a leitura, sobretudo de livros de autoajuda, pode auxiliar a enfrentar os transtornos. “No meu livro, Sem medo de ter medo, por exemplo, ensino como tratar o pânico sem usar remédios, através de alguns exercícios que provocam os sintomas e ajudam a lidar com eles. Outros livros que podem ser úteis: Medos, dúvidas e manias, de Roseli Gedanki Shavitt, Albina Rodrigues Torres e Eurípedes Constantino Miguel, que aborda o transtorno obsessivo-compulsivo para o público leigo, e Morrendo de vergonha, de Cheryl N. Carmin e Bárbara G. Markway, que trata da fobia social”.

Sem medo de ler

Psicologia do medo – Como lidar com temores, fobias, angústias e pânicos, de Christophe André
Ansiedade, fobias e síndrome do pânico – Esclarecendo suas dúvidas, de Elaine Sheehan
Fobia, de Ivan Ward

Paúra – 20 coisas que você morre de medo e como encarar todas elas, de Sergio Franco

Quando o medo vira doença, de Roberto Lorenzini e Sandra Sassaroli

É possível vencer o medo?, de Valério Albisetti

Você tem medo de quê? – Fobias modernas, de Tim Lihoreau

Pânico, fobias e obsessões, de Valentim Gentil Filho e Francisco Lotufo-Neto

Vencendo o medo – Um livro para pessoas com distúrbios de ansiedade, pânico e fobias, de Jerilyn Ross

Matéria produzida pela ML Jornalismo para a Livraria Martins Fontes Paulista

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Escritos eróticos – O erotismo através dos séculos

 Erica Chappuis, “Beso”

Erica Chappuis, “Beso”

A literatura erótica sempre provocou grandes polêmicas. “Por preconceito ou por medo, as pessoas muitas vezes recusam o tema. Não percebem que se trata de uma área essencial do conhecimento humano e que é também fascinante porque celebra a alegria de Eros, a alegria do corpo”, diz a ensaísta e tradutora Eliane Robert Moraes.

A história da literatura erótica é marcada por reações controvertidas e até por atos extremos de intolerância e repressão, conforme constata a ensaísta e tradutora Eliane Robert Moraes, estudiosa do assunto há mais de 20 anos. Autora de Perversos, amantes e outros trágicosSade – A felicidade libertina, O corpo impossível e Lições de Sade – Ensaios sobre a imaginação libertina, além de tradutora da História do olho, de Georges Bataille, ela ressalta que o tema revela aspectos essenciais do ser humano. “Não é preciso temê-lo nem se sentir ameaçado, mas apenas estar aberto às possibilidades de conhecimento e de pensamento que propõe”.

Eliane Robert de Moraes: "A diferença entre erotismo e pornografia geralmente baseia-se num critério moral"

Eliane Robert de Moraes: “A diferença entre erotismo e pornografia geralmente baseia-se num critério moral”

O que caracteriza a literatura erótica?

Quando se fala em literatura erótica, está se falando de uma literatura que mobiliza um tema específico: o sexo, o erotismo. É um campo da literatura que mobiliza diversos gêneros. Você pode ter um romance erótico, um poema erótico, um épico erótico. Mas veja, há livros em que o erotismo é um elemento forte, porém não é o centro, como Grande sertão: Veredas ou Madame Bovary. E há os que enfocam o universo, as pessoas e os sentimentos a partir do sexo, fazendo do erótico a embocadura para determinada leitura de mundo.

Qual a diferença entre erotismo e pornografia?

Essa distinção é muito complexa e, geralmente, baseia-se num critério moral. Para o senso comum, é pornográfico o sexo escancarado e é erótico aquilo que é velado. Eu prefiro falar de qualidade literária, e isso deve ser avaliado pelo critério estético, não pelo critério moral. Há livros em que o sexo é meio velado, mas a literatura é ruim, uma bobagem, e há outros mais alusivos que são notáveis pelas possibilidades de pensamento que propõem. Um exemplo é O caderno rosa de Lori Lamby, da Hilda Hilst, sobre as memórias sexuais de uma menina de oito anos. Obsceno, politicamente incorreto, mas literatura de primeira linha. A forma como ela aborda o tema, expondo essa degradação na própria linguagem, é incrível. Os escritos do italiano Pietro Aretino, reconhecidamente o mais importante escritor erótico da Renascença, são um bom exemplo de clássicos superobscenos.

Quando esse tema ganhou expressão na literatura?

O sexo vem sendo tema literário desde sempre. Está no Satyricon de Petrônio, no Cântico dos Cânticos da Bíblia, na Priapéia grega e em tantos outros escritos da Antiguidade. O notável livro Poesia erótica, tradução de José Paulo Paes, que abrange desde a Antiguidade até os dias de hoje, nos permite acompanhar e pensar a história da literatura erótica, mostrando inclusive que ela sempre existiu como um dos temas essenciais da humanidade, assim como acontece com o amor, a guerra, a religião.

Como foi sua evolução ao longo dos tempos?

No século 16, portanto na modernidade, surge no Ocidente um tipo específico de literatura que fornece as convenções do erotismo moderno. O grande exemplo é Diálogo das cortesãs, de Pietro Aretino, em que duas mulheres avaliam o que é melhor para uma jovem – ser esposa, cortesã ou freira. Esse modelo, com o tema exposto pelos próprios personagens, é fonte da literatura libertina que vai perdurar até o século 18, inspirando romances clássicos franceses e ingleses, como Fanny Hill, de John Cleland, O sofá, de Crébillon Fils, Teresa filósofa (autor anônimo) e uma boa parte dos escritos de Sade, entre outros.

Depois das revoluções burguesas na Europa o erotismo passa a ser mais clandestino. Há um desejo de recato, de distanciamento do mundo da corte e, em decorrência, um retrocesso de visibilidade do tema. No século 20, com o esgarçamento desse modelo burguês, ocorre uma nova virada. Surgem os movimentos de vanguarda nas artes, e os surrealistas, no início dos anos 1920, resgatam o vigoroso acervo dos séculos 17 e 18, que estava escondido, intensificando a produção desse tipo de literatura. Entre os nomes de destaque estão Louis Aragon, Guillaume Apollinaire, Pierre Louÿs, Georges Bataille.

A obra de Sade adquire um peso maior nesse novo contexto?

Sade é um autor do século 18 que foi perseguidíssimo e passou metade da vida entre prisões e sanatórios. Sua literatura é absolutamente contra o pacto social, daí a dificuldade de ser aceita. Tudo o que ele publicou foi clandestino e, depois de sua morte, grande parte dessa obra foi queimada por ordem de um de seus filhos. Por sorte, alguns dos textos foram salvos por bibliotecários que os esconderam no porão, o chamado “inferno da Biblioteca Nacional francesa”. No século 20, dois grandes biógrafos de Sade vão atrás de seus manuscritos e, nos anos 1950, um editor francês, Jean-Jacques Pauvert, vai até os tribunais para ter direito de publicar sua obra completa.

É uma literatura obscena, forte, subversiva e até mesmo assustadora – por isso seus livros estão na origem da ideia do sadismo. Sade lida não apenas com o sexo, mas também com o mal, com os subterrâneos do ser. É uma leitura que abala nossa noção de humanidade, pois pensa o ser humano de forma impiedosa. Mas é nela que se pode buscar explicação, por exemplo, para o lado bestial que também faz parte da natureza humana.

A literatura erótica sofre preconceito?

A interdição dessa literatura sempre se baseou em critérios ora sociais, ora políticos, na maioria das vezes morais. Hoje, no Ocidente, a questão moral não é mais tão candente e há inclusive um apelo erótico explícito muito imediato e comercial em torno do tema. Existe um tipo de literatura, entretanto, que sempre vai incomodar, como a de Sade, Bataille ou Hilda Hilst… O problema é que ela não só escancara o sexo, mas abala toda a estrutura de um edifício social. Às vezes por preconceito, às vezes por medo, as pessoas recusam e resistem. O ser humano gosta de se pensar de uma forma idealizada, de contemplar sua imagem de maneira edificante. Por isso sempre foi dado um privilégio à cabeça, ao alto… Mas a humanidade não é só isso, tem também que dar conta do que acontece da cintura para baixo! Essa separação é muito cultural. Há culturas orientais em que o corpo e a alma são trabalhados de outra forma, concebendo o sexo até como algo sagrado. No Ocidente, o cristianismo em particular sempre foi repressor em relação ao corpo.

Quais aspectos considera mais interessantes nesse campo literário?

A literatura erótica, quando é bem-feita e tem densidade, é um campo essencial do conhecimento. Ela permite que nos vejamos a partir de um outro ponto de vista, balançando certas convicções que temos sobre nós mesmos, permitindo assim que o erótico seja um operador de pensamento, de reflexão e de indagação. Outro aspecto que acho maravilhoso na literatura erótica é o da celebração de Eros: eis um lugar humano que é de emanação de alegria também. Os sonetos de Aretino, por exemplo, são uma celebração desse momento erótico, um momento de fusão e de explosão. A Priapeia grega, os lindos poemas amorosos de Safo e tantos outros escritos também exaltam as alegrias do corpo.

O que determina a qualidade dos textos eróticos?

O critério estético, da boa literatura, sempre. Os livros têm uma capacidade enorme de mexer com a vida da gente, de nos fazer refletir, de nos transtornar, de expressar coisas que vivenciamos, mas não conseguimos colocar em palavras. E como o erotismo é uma vivência física, a literatura erótica oferece a possibilidade de nos pensarmos também nesse sentido. Há vários tipos de literatura – algumas são fast food; outras, um banquete para o pensamento. Hoje, mais do que nunca, é preciso avaliar a qualidade, pois há muitos textos básicos, mais comerciais, que não acrescentam nada. Existe um certo jogo de voyeurismo nessa vontade de preencher todo o espaço em branco, impedindo que cada um crie as próprias imagens.

Poderia sugerir alguns autores dessa boa literatura?

São tantos… Acho que a Hilda Hilst, com sua trilogia erótico-pornográfica –  O caderno rosa de Lori Lamby, Contos de escárnio – Textos grotescos e Cartas de um sedutor –, é uma das autoras geniais. Eu citaria também a obra de Roberto Piva, de forte teor erótico – Mala na mão e asas pretas é um dos volumes que reúne suas poesias reeditadas. Gosto muito do livro do João Ubaldo, A casa dos budas ditosos. E há várias traduções de obras excelentes. Destaco Falo no jardim – Priapeia grega, Priapeia latina, tradução de João Ângelo Oliva Neto; Poemas e fragmentos de Safo de Lesbos, tradução de Joaquim Brasil Fontes, Sonetos luxuriosos e Pornólogos (Diálogo das cortesãs), do Pietro Aretino, Minha vida secreta – Memórias de um libertino, de autor anônimo, é um clássico do erotismo. Há ainda os livros de SadeA filosofia na alcova e Os 120 dias de Sodoma; História do olho, de Georges Bataille; Trópico de Câncer, de Henry Miller, entre muitos mais. Vale a pena entrar em contato com essa literatura bem elaborada, ir se encontrando ali e conversando com ela…

Matéria produzida pela ML Jornalismo para a revista Cultura News (Livraria Cultura)

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