Revitalização das ferrovias

 

Paralisado durante muitos anos no Brasil, o setor ferroviário praticamente renasceu com a privatização efetuada na década de 90 na área de carga e entre 2000 e 2010 na área de passageiros. Não só a ferrovia propriamente dita como a indústria a ela ligada. “Passamos a crescer a partir do processo de privatização iniciado em 1996”, afirma o engenheiro Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária Foto: Gilberto Rios(Abifer). “Até então, o sistema agonizava e a indústria estava em franco processo de sucateamento. Por outro lado, por volta de 2005, os governos começaram a se preocupar mais com a questão da mobilidade urbana, principalmente o governo do estado de São Paulo, que investiu R$ 22 bilhões entre 2007 e 2010. Para a gestão atual, estão previstos investimentos de R$ 45 bilhões, e a prefeitura está entrando também com R$ 1 bilhão para ajudar nesse processo”.

Segundo ele, o caos que enfrentamos hoje no transporte ferroviário seria ainda maior se não tivessem sido ampliadas as linhas de metrô e também as linhas de trens de superfície da CPTM. “Daqui para frente, a tendência é melhorar. Hoje temos na cidade de São Paulo 75 km de linhas de metrô e 260 km de linhas da CPTM. A previsão é em 2014 dispormos de 410 km entre metrô e CPTM. Atualmente são transportados 7.100 milhões de passageiros por dia útil e esse número deve chegar a 10 milhões em 2014. Além disso, a expectativa é de melhora no intervalo entre os trens, que deve passar dos atuais 6 minutos para 3 minutos (há poucos anos, esse intervalo era de 10 minutos)”.

Este é o panorama da cidade de São Paulo. “O estado, por sua vez, tem projetos de trens regionais de velocidade média, cerca de 180 km por hora”, ressalta Vicente Abate. “Está nos planos fazer uma linha que permita o trajeto da capital até Jundiaí em 25 minutos e de São Paulo a Sorocaba e de São Paulo a Santos em 40 minutos. No metrô, estão sendo feitas várias obras simultâneas, como a Linha 4 (Butantã-Luz), sua continuação, e a Linha

Vicente Abate: “Ferrovia forte e indústria forte levam ao desenvolvimento”

5 (Capão Redondo- Largo 13), com expansão do Largo 13 até a Avenida Adolfo Pinheiro. Começaram as obras também do monotrilho da extensão da Linha 2 (Vila Madalena-Vila Prudente), que vai até a Cidade Tiradentes, e deverá ser iniciada logo a construção da Linha 17 (Jabaquara-São Paulo/ Morumbi), o monotrilho que ligará o aeroporto de Congonhas ao Morumbi. Sem falar no VLT, que vai ser feito em Santos, entre São Vicente e o porto, e, depois, do porto até o Valongo, região onde a Petrobrás irá realizar operações de pré-sal.”

Com isso, a indústria ferroviária, que passou um bom tempo paralisada, também está se revitalizando. No momento, estão sendo comprados mais 530 vagões entre metrô e trem da CPTM, e a tendência é ampliar esse número cada vez mais em função da extensão da linha e da diminuição do intervalo entre os trens.

Benefícios da privatização

O crescimento do transporte ferroviário deu-se sobretudo com a entrada da iniciativa privada. Em 2011, as concessionárias investiram mais de R$ 4,6 bilhões no setor, 56,3% a mais do que em 2010. “Temos reclamado é de uma certa morosidade provocada pela burocracia, a raiz de todos os males do nosso país”, observa o presidente da Abifer. “O governo tem vários programas apoiados pelo BNDES, Caixa Econômica Federal e organismos de financiamento multilaterais, como o Banco Mundial. A iniciativa privada tem feito a sua parte, sobretudo através das PPPs, entre as quais as da Linha 4 do metrô e da linha 8 da CPTM (Júlio Prestes-Itapevi). Está fazendo também várias expansões das linhas ferroviárias de carga em todo o Brasil”.

Todo esse desenvolvimento, no entanto, ainda é pouco se compararmos com outros países. Enquanto no Brasil existem 30 mil km de ferrovias, os Estados Unidos têm 260 mil, a China 90 mil e a Índia 63 mil. “Esta é uma indústria que precisa ser incentivada”, enfatiza Vicente Abate. “Ela apresentou um faturamento de R$ 4,2 bilhões em 2011, mais do que o dobro do que faturava há quatro anos. Além disso, é responsável por 20 mil empregos diretos e indiretos e deve produzir 40 mil vagões na década atual – o recorde era 30 mil na década de 1970 – , assim como 2.100 locomotivas e 4 mil carros de passageiros para metrô, monotrilho e VLT. É uma indústria exportadora que está na vanguarda tecnológica. O binômio ferrovia forte e indústria forte leva ao desenvolvimento do país”.

 

Matéria do Jornal Sobloco Informa nº 180, publicação da Sobloco Construtora produzida pela ML Jornalismo.

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