Aventura: viagens radicais com Airton Ortiz

 

 

A primeira lição que o visitante aprende em Jerusalém é sobre a sua complexidade. Tudo se parece, mas nada é o que parece. É preciso abrir o olho, em especial no comércio. Embora a religião e a política não fiquem para trás.

(trecho do livro Jerusalém, de Airton Ortiz)

Ele conhece cerca de 80 países. E não da maneira como todo mundo conhece, ficando num hotel, frequentando bons restaurantes… As viagens de Airton Ortiz são diferentes. “Sempre mochilei pelo mundo, desde pequeno. Procuro regiões que ainda tenham sua cultura original preservada, a salvo da globalização que vem destruindo a diversidade humana no planeta, nossa maior riqueza. Essas regiões se mantêm autênticas por serem geograficamente de difícil acesso. Daí, a viagem se transforma numa expedição cheia de peripécias, com muitas aventuras pelo caminho”. Três países, em especial, foram os que mais o marcaram: “Tanzânia, pelos animais selvagens soltos na savana; Nepal, pela belíssima paisagem montanhosa do Himalaia; e Índia, pela diversidade cultural, fruto do politeísmo”.

 

Cada viagem é uma nova aventura muito bem preparada. “Dedico três meses do ano me preparando”, relata. “Fisicamente, corro uma hora por dia três dias por semana; tecnicamente, leio tudo sobre o lugar para onde vou. Isto é, quando há informações disponíveis. Para alguns lugares, só descubro os detalhes quando já estou lá. E os imprevistos acabam sendo o tempero da viagem. Gosto disso, de não saber o que me espera no dia seguinte. Isso é bom porque, no mínimo, um dia diferente do anterior já é um dia melhor”.

Essa vida de aventura, o gaúcho Airton Ortiz faz questão de dividir com seus leitores. São 15 livros publicados, que o tornaram pioneiro no chamado jornalismo de aventura. Sua atividade como escritor teve início em 1977, quando escalou o Kilimanjaro, a montanha mais alta da África, pela primeira vez, e escreveu Aventura no topo da África, o primeiro livro da coleção Viagens radicais. Em 2010, lançou a coleçãoExpedições urbanas: crônicas sobre Havana e Jerusalém – o próximo seráAtenas. “A ideia é, ao final de cada um desses livros, deixar o leitor com a sensação de que ‘morou’ na cidade, descobrindo seus recantos e interagindo com os outros moradores”. No momento, está escrevendo o romance Gringo, contando a história de um rapaz que, por uma série de circunstâncias alheias à sua vontade, faz uma viagem pela América Latina e vai descobrindo o mundo.

Airton Ortiz ressalta que suas viagens são extremamente enriquecedoras. “Somos, todos nós, frutos dos livros que lemos, das pessoas que amamos e das viagens que fazemos. Viajar, portanto, é fundamental, pois amplia nosso ser, tanto intelectual como espiritualmente. O contato com culturas diferentes alarga nossa percepção de mundo, nos dá a real dimensão de quem exatamente somos. Viajar por lugares estranhos nos faz descobrir o estranho que há em cada um de nós. Descobrir para compreendê-lo e aceitá-lo, reduzindo um pouco as contradições da nossa alma, que tanto nos angustiam. A cada viagem, volto mais simples. E a simplicidade é o estágio mais elevado da sofisticação humana”.

Viaje nos livros de Ortiz

Na estrada do Everest – escaladas na cordilheira do Himalaia, no Nepal.

Pelos caminhos do Tibete – viagem em que Ortiz percorreu, de jipe, todo o platô tibetano.

Cruzando a última fronteira – travessia do Alasca.

Expresso para a Índia – uma profunda experiência na terra dos deuses hindus.

Travessia da Amazônia – relato da viagem do Pacífico ao Atlântico pelos rios amazônicos em pequenas embarcações e convivendo com surpreendentes tribos indígenas.

Egito dos faraós – jornada através do deserto do Saara, em lombo de camelo, e a descida do rio Nilo, numa jangada.

Na trilha da Humanidade – expedição que refez o caminho percorrido pelos humanos pré-históricos que povoaram o Brasil, partindo da África, cruzando a Ásia, entrando nas Américas pelo Alasca e descendo até Minas Gerais.

Em busca do Mundo Maia – reportagens relatando a expedição de Ortiz à América Central.

Cartas do Everest – romance de aventura que narra uma trágica expedição ao cume do Monte Everest.

Vietnã pós-guerra – uma aventura pelo Sudeste Asiático que reconta a Guerra do Vietnã sob o ponto de vista do povo vietnamita.

Aqui dentro há um longe imenso – romance de aventura dedicado ao público infantojuvenil, foi escrito em parceria com outros cinco autores.

Matéria da Revista Platero, produzida pela ML Jornalismo para a Livraria Martins Fontes: http://www.revistaplatero.com.br 

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