Laura Muller: Altos papos sobre sexo

“Sexo é uma prática do mundo adulto. Se o jovem quer se aventurar nesse campo, precisa amadurecer e fazer isso com responsabilidade”, diz a psicóloga e jornalista Laura Muller. Mais direta e objetiva, impossível. E é justamente por isso que o público gosta tanto dela e acompanha com interesse sua participação semanal no programaAltas Horas, apresentado por Serginho Groisman na TV Globo. Especialista em sexualidade humana, autora dos livros Altos papos sobre sexo e 500 perguntas sobre sexo do adolescente, ela responde com naturalidade e precisão a todas as perguntas, desfazendo equívocos e dúvidas, derrubando mitos e tabus, orientando e conscientizando os adolescentes quanto à necessidade de se precaver.

“Não dá para fazer sexo sem uso de preservativo em tempos de doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS, ou correndo o risco de uma gravidez precoce”, alerta. “Desde a primeira transa, os jovens já estão sujeitos a se contaminar se não levarem a sério o uso da camisinha e entenderem que esse cuidado é imprescindível em todas as práticas sexuais. A menina também pode engravidar desde a primeira vez. Ter filho é uma coisa linda, só que isso precisa acontecer numa hora adequada, que com certeza não é na adolescência. Responsabilidade é fundamental para uma vida sexual saudável e prazerosa, o que significa ir ao médico – ginecologista para as mulheres, urologista para os homens -, escolher um método de prevenção e seguir à risca as recomendações.”

Educação sexual, conforme ressalta, é importante em qualquer faixa etária. Tanto que em seu livro Altos papos sobre sexo ela se dirige a leitores dos 12 aos 80 anos. A psicóloga observa que muitos adultos enfrentam problemas, como baixa de desejo, dificuldade de orgasmo ou de ereção, e não precisam ficar sofrendo com isso, porque há tratamentos e maneiras de adaptar o corpo às alterações de hormônios. A fase de iniciação, entretanto, demanda uma atenção especial. Não é fácil lidar com os medos, as ansiedades, com o prazer do momento e ainda evitar doenças e gravidez fora de hora. O jovem precisa de orientação e de informações constantes, até que se conscientize e aprenda de fato a se cuidar.

No seu entender, a hora certa para essa iniciação varia muito de uma pessoa para outra. “Iniciação sexual não é brincadeira, é um momento muito íntimo dessa menina e desse menino. Talvez fosse importante se questionar: estou realmente preparado para isso? Não se pode pensar apenas no lado físico. O emocional também influi muito. O corpo e o emocional andam juntos, tudo está interligado. Se o jovem ainda estiver com medo, ansioso, sentindo-se pressionado pelo grupo, pelo namorado ou pela namorada, então não é ainda a hora certa. Sexo pode ser gostoso, divertido, mas exige uma boa dose de amadurecimento e de responsabilidade para que seja de fato um prazer saudável.”

Uma das perguntas mais frequentes: até onde ir? O conselho da psicóloga é que cada um respeite seus limites. “Faça só o que você se sente confortável para fazer. Se não acha legal sair por aí beijando e ficando com um monte de garotos ou garotas ao mesmo tempo, não faça isso. Não é porque o grupo faz que você tem de fazer. Ceder a pressões e extrapolar os limites não é saudável. Ninguém é obrigado a fazer o que não quer. O jovem tem escolha, tem opinião própria e sabe em que tribo quer se meter. A gente precisa tomar conta da própria vida, saber o que quer fazer com ela e ter autonomia para decidir”.

Livros, palestras, bate-papos, discussões, enfim, qualquer forma de conhecimento, desde que se trate de informações de qualidade, pode contribuir muito, segundo Laura Muller. Embora fale abertamente de questões relacionadas à sexualidade, na televisão e nas palestras, ela reconhece que este ainda é um assunto tabu. Muitos casais têm dificuldade de conversar sobre sexo e de falar com os filhos a esse respeito. “Nos meus diálogos com os jovens, abordo muito os três grandes eixos que interessam a eles: práticas sexuais, afeto e prazer. Falo de desejo, orgasmo, excitação, cuidados essenciais, e também procuro derrubar mitos que atrapalham – só para citar um exemplo, muitos acreditam ser mais seguro usar duas camisinhas, o que é um equívoco; com o atrito, uma pode danificar a outra e dar tudo errado… Acho que quanto mais se puder informar e esclarecer, melhor. As coisas ficam mais tranquilas, e isso favorece a relação prazerosa”.

Matéria da revista Platero, publicação da Livraria Martins Fontes produzida pela ML Jornalismo: 

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