A eclética seleção de livros da jornalista Mona Dorf

 


Jornalista multimídia, Mona Dorf é uma referência cultural. Em seu programa Letras e Leituras, apresentado diariamente na Rádio Eldorado, entrevista escritores e fala sobre livros. No portal IG, tem uma coluna com vídeos, podcasts, slideshows e textos. É ainda autora do livroAutores e ideias, que reúne 35 entrevistas feitas por ela com escritores brasileiros.

É um dia a dia de tirar o fôlego de qualquer um! A par dessas atividades, Mona Dorf tem vários projetos em andamento, entre os quais lançar o segundo volume do Autores e ideias com escritores e ilustradores de obras infantis, e escrever a história que está vivendo ao lado de seu companheiro que luta bravamente contra um câncer.

Mona Dorf entrou no jornalismo pelas portas da televisão. “Percebi que era isso que eu queria fazer na vida! Passei 20 anos na TV e depois, quando surgiu a internet, migrei para essa mídia. Fui uma das pioneiras e me orgulho de ter criado na AOL um dos primeiros projetos de vídeo em portal, ou TV interativa”.

Sua relação com a literatura começou nos tempos do Liceu Pasteur, colégio francês onde os estudantes eram obrigados a decorar poesias e a ler os clássicos da literatura. “Para mim não era uma obrigação”, observa. “Eu era rato de biblioteca, li MolièreRacineMontaigneFlaubertZolaVictor Hugo… E CamusSartreDiderotLevi-Strauss. Adorava os russos, especialmenteDostoiévski. Tudo começa na escola, não é mesmo? E na infância e na adolescência é quando temos mais tempo para ler”.

Para ela, a leitura é um prazer solitário, mas confortante. “Creio que há o prazer do recolhimento, do silêncio interior onde repercutem várias vozes: a nossa, ao lermos, e as dos personagens. É diversão, entretenimento, distração, a leitura nos leva longe, como numa viagem, onde conhecemos outros mundos, entramos na pele do personagem e voamos juntos”.

Mona Dorf fez uma seleção de livros bem variada para os leitores da Revista Platero:

Para entrar no clima do momento, de turbulência econômica e lembrar um passado recente, duas leituras imprescindíveis: Saga brasileira – A longa luta de um povo por sua moeda e Convém sonhar, os dois livros da jornalistaMiriam Leitão, que nos relembram como os planos econômicos dos últimos 30 anos no Brasil afetaram nossas vidas.

Para quem gosta de biografias, indico: Clarice – Uma vida que se conta, sobre Clarice Lispector, feita por Nadia Batella GotlibEstrela solitária, a vida do craque Garrincha e Carmen – Uma biografia, sobre Carmen Miranda, escritas por Ruy CastroChatô, o rei do Brasil, a trajetória de Assis Chateaubriand, de Fernando Morais.

Sobre jornalismo, gostei muito de Notícias do Planalto, de Mario Sergio Conti. Recomendo ainda qualquer livro de Gay Talese, o papa do New Journalism. Gosto muito de O reino e o poder, que mostra os bastidores doNew York Times.

O mundo é plano, de Thomas L. Friedman, é essencial para entender as mudanças que o mundo vem passando: a revolução nos negócios, no exército, na medicina e os ganhos em sinergia, rapidez e comunicação que vieram a reboque da internet.

Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez, me marcou profundamente. É um embarque certo para uma viagem literária e também o reflexo de um tempo, do espírito da cultura latino-americana.

Crime e castigo, de Dostoiévski, é uma obra-prima não só literária, mas filosófica também. Uma verdadeira aula sobre como tecer um romance psicológico que envolva o leitor.

O vermelho e o negro, Romance com letra maiúscula de Stendhal. É o clássico que leio e releio, como Madame Bovary, de Flaubert. Além da trama, a construção da narrativa e o estilo são deliciosos. Sentimos prazer ao saborear cada frase.

Ilíada e Odisseia, de Homero, me marcaram na adolescência e me animaram a ler outras coisas sobre a mitologia grega.

A obra do escritor francês Honoré de Balzac, que fez um grande painel da sociedade francesa no século XIX na série A comédia humana. O que ele mostra de intrigas, vaidades e traições entre os seres humanos vale para qualquer sociedade. O interessante é que os personagens retornam em toda a série, às vezes mais nobres, às vezes mais pobres. Gosto muito de O Pai Goriot, onde ele fala de ambição, sovinice, inveja, amores, e Ilusões perdidas, que descreve o mundo dos livreiros, pretensos poetas, gráficos, não é muito diferente do que se passa hoje no mercado editorial!

Matéria da Revista Platero n. 24 /outubro.

Revista Platero é produzida pela ML Jornalismo para a Livraria Martins Fontes 

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