Como funciona a nossa memória?

Um dos bens mais preciosos do ser humano, vital para seu desempenho, a memória começa a se formar desde o nascimento. “A memória envolve um complexo mecanismo que arquiva e recupera nossas experiências, e está intimamente associada à aprendizagem e à aquisição de novos conhecimentos”, explica a neurocientista Silvia Helena Cardoso, vice-presidente do Instituto Edumed para Educação em Medicina e Saúde. “É um processo de armazenamento de informações adquiridas pela vivência e pelo ambiente. Cada pedacinho de informação é registrado por conjuntos ou redes neurais que vão se unindo uns aos outros, através de terminações nervosas denominadas sinapses (região de comunicação entre os neurônios), desta forma estabelecendo as conexões entre o armazenamento de todos os componentes significativos da nossa vida. Tudo o que fazemos é através da ativação destes circuitos neurais”.

É possível melhorar a memória? Segundo a neurocientista, é possível, sim. “Os exercícios e técnicas para estimular a memória consistem sobretudo em repetir uma coisa várias vezes e fazer associações para facilitar essas lembranças. É importante fixar a atenção toda vez que tivermos de armazenar alguma informação e repetir essa informação muitas vezes – se estamos falando, escrevendo, fazendo qualquer coisa, é porque já fizemos isso muitas vezes. A memória auditiva é mais fácil, quando ouvimos retemos mais em relação ao que vemos. Aliás, quanto mais percepções sensoriais utilizarmos, mais fácil fica armazenar”.

Praticar exercícios mentais, como fazer palavras cruzadas, jogar xadrez e ler também avivam a memória, pois ativam muitos circuitos neurais do cérebro. Estudos recentes mostraram que navegar pela internet recruta ainda mais circuitos neurais. Além disso, alguns medicamentos podem contribuir, já que ativam neurotransmissores específicos, como a acetilcolina e neurotransmissores GABA (ácido gama amino-butírico), todos com indicações específicas. “A idade pode afetar a memória, desde que a pessoa já seja geneticamente determinada, pois vão morrendo células desses circuitos”, diz Silvia Cardoso. “Entretanto, se a pessoa for normal, não acontecer nenhum processo de lesão, acidente ou trauma ao longo da vida e estiver sempre treinando, dá para ter uma memória afiada durante toda a existência”.

Ela comenta que existem vários tipos de memórias, entre as quais a declarativa ou explícita episódica – a pessoa lembra um fato ou episódio, seja recente ou de muitos anos atrás; a semântica – engloba o significado da vida, tudo o que a pessoa sabe, como são as coisas e como deve proceder em determinadas situações; a não-declarativa ou implícita – a memória do corpo: andar de bicicleta, amarrar o cordão do sapato, ações difíceis de expressar como se faz, mas que raramente se esquece, a menos que se tenha uma doença grave, como Alzheimer ou Parkinson.

Os lapsos normalmente ocorrem na memória declarativa. “Essas falhas de evocação de memória são dificuldades em determinado momento de ativar e relacionar a rede neural com o que se queria fazer”, afirma Silvia Cardoso. “Em geral, isso se dá por falta de atenção, de foco no momento da aquisição e armazenamento da memória. A menos que se tenha uma amnésia orgânica, relacionada a traumatismos e lesões de determinadas regiões do organismo, ou psicogênica, quando passamos por um estresse, uma situação traumática. Consciente ou inconscientemente, queremos esquecer esse episódio, é como se estivéssemos apagando esse registro neural”.

Para melhorar a memória

• Praticar jogos, como xadrez e palavras cruzadas.

• Recordar fatos do dia a dia (o que leu no jornal, o que ocorreu no último capítulo da novela…).

• Aprender novas habilidades: computador, pintura, música…

• Ler um texto e procurar refletir sobre ele (um poema, uma notícia…).

• Associar fatos a imagens e guardá-los na memória (imaginar um alimento suculento e todas as suas características a ponto de sentir prazer).

• Manter uma alimentação rica em vitaminas. A tiamina (encontrada no peixe, na carne de porco, na linhaça etc), o ácido fólico (tomate, brócolis, espinafre) e a vitamina B12 (cereais integrais, vegetais verdes, carnes) são importantes para o metabolismo dos neurotransmissores.

• Fazer exercícios regularmente traz benefícios para o processo de memorização. Uma simples caminhada diária é o suficiente.

• Dormir bem. Quem sofre de insônia tem sua memória prejudicada.

Não se esqueça de ler

A aventura dos neurônios, de Jacques-Michel Robert
O cérebro nosso de cada dia, de Suzana Herculano Houzel
O cérebro do século XXI, de Steven Rose
Mega memória – Explore todo o potencial da sua mente, de Andre Brasil
Memória, de Iván Izquierdo
A Arte de esquecer, de Iván Izquierdo
Para não esquecer, de Herve Jaquen

Matéria da seção Bem-Estar da Revista Platero nº 23 / setembro 2011 www.revistaplatero.com.br 

A Revista Platero é  produzida pela ML Jornalismo para a Livraria Martins Fontes

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Revista Platero

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s