Viver muito e com saúde – uma decisão pessoal


O momento presente é o mais significativo de nossas vidas, pois temos controle sobre ele. Não podemos alterar o passado nem definir o futuro. Mas podemos ser donos do presente. (do livro Pílulas para viver melhor)

Quem não quer viver muito e ser feliz? Segundo o cardiologista Fernando Lucchese, chefe do Grupo de Transplantes de Coração da Santa Casa de Porto Alegre, para viver melhor e com qualidade, a palavra básica é organização. “Organizar a vida pessoal, familiar, profissional, financeira, de lazer e alimentar: esse conjunto torna a vida melhor e desfrutada com mais prazer. O cérebro humano busca o prazer. Felicidade não é um porto de chegada, mas essa viagem que a gente faz no dia a dia. Estilo de vida é igual a saúde, que é igual a felicidade e leva inevitavelmente à longevidade. Para viver muito, todos esses componentes são necessários”.

Autor de Pílulas para viver melhor, Confissões e conversões – 25 regras para o tempo de mudar, Desembarcando a tristeza e Pílulas para prolongar a juventude, entre outros livros, o dr. Lucchese ressalta que o pensamento positivo também ajuda muito. Estudos publicados há poucos meses no New England Journal of Medicine demonstram que o pensamento positivo, além de prolongar a vida, reduz a incidência de doenças. “Indivíduos positivos têm menos câncer, menos infarto e menos derrame, as três doenças que mais matam. Foi constatado o efeito danoso do ‘quarteto maléfico’: raiva, inveja, vaidade e maldade. Pessoas com esses sentimentos têm no sangue concentração mais alta de interleucina-6 e outros agentes inflamatórios no organismo, que são os reais causadores dessas doenças. A inflamação é uma alteração da bioquímica do sangue que tira a imunidade do paciente. Os estudos provaram que, assim como os infartados e os cancerosos, os raivosos e os invejosos também têm interleucina-6 mais alta. A bioquímica do pensamento positivo é de indivíduos que têm poucos sistemas energéticos desenvolvidos, menos adrenalina. Somos um conjunto de corpo-mente-espírito, não tem como separar, se tira um, cai tudo”.

O cardiologista afirma que essa é uma novidade que os médicos em geral levaram muito tempo para aceitar. “Algumas doenças do espírito são muito mais lesivas ao organismo do que até as doenças físicas. O pessimismo, o egoísmo e a raiva são doenças do espírito. Um sujeito que foi encrenqueiro a vida inteira, só se meteu em confusão, não me surpreende que venha a morrer cedo de câncer, por exemplo. Vemos isso todos os dias. Seguramente ainda existem componentes que estamos estudando e logo vamos desvendar. É um mundo fascinante esse do corpo-mente-espírito”.

Na sua opinião, pensar positivo é uma questão de atitude. “Não somos intrinsecamente otimistas ou pessimistas, temos temperamentos variáveis. Entretanto, é possível treinar a cabeça para se tornar light: o segredo é ver sempre o lado positivo das coisas ruins que acontecem. Ao receber um telefonema com uma má notícia, por exemplo, que tal pensar: Se fosse diferente, como seria? Poderia ter sido pior? Ver o lado positivo até das coisas ruins é questão de treinamento. Acontece muito com pacientes safenados. Eu faço cirurgias cardíacas e muitas vezes o paciente chega para operar cheio de ‘porcaria’ na cabeça: enfartei porque meu casamento foi um desastre, porque minha vida é uma droga, minha empresa só me dá trabalho. Aí ele sofre o impacto de uma cirurgia, corre risco de vida. Depois de um tempo lhe perguntam: Tudo bem? E sua empresa? Como vai sua mulher? Resolvi deixar os filhos tocarem a empresa e minha mulher e eu estamos indo para a Europa. A pessoa precisou levar uma abalroada para se dar conta que a vida dela não era tão ruim”.

“Mudar de estilo de vida é transformar um aspecto negativo em positivo”, observa o cardiologista. “Isso acontece muito quando o sujeito está sozinho e conhece um novo amor, nasce um filho ou um neto, troca de casamento ou de trabalho, se refaz, se reconstitui. Os aspectos mais difíceis de mudança são aqueles que se tem de fazer no dia a dia, modificando os conceitos sobre as coisas, flexibilizando a forma de atuar em casa, parando para ouvir o filho e a mulher. Por isso sempre digo para o pessoal que vem me consultar: se o seu emprego o está incomodando, mude de emprego. O ser humano é muito arraigado às coisas, acha que a crise da mudança vai ser uma destruição. Aí vem a surpresa: a mudança significa crescimento. Viver muito com saúde é uma decisão pessoal”.

Leituras que ajudam a viver melhor

A idade verdadeiraMichael F. Roizen
A dieta da idade verdadeiraMichael F. Roizen
Você sempre jovem – Estenda sua garantia de vida com qualidadeMichael F. Roizen
Deus, fé e saúdeJeff Levin
Viva com mais saúde – 51 especialistas da USP orientando você a viver mais e melhorJosé Antonio Franchini Ramires (org.)
Corpo sem idade, mente sem fronteirasDeepak Chopra
Os caminhos para a saúde – Integração mente e corpoMarcelo Pelizoli (org.) 

Matéria da seção Bem-estar da Revista Platero nº 21/julho  www.revistaplatero.com.br.

A Revista Platero é uma publicação produzida pela ML Jornalismo para a Livraria Martins Fontes

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