Um universo curioso


O universo é grande, misterioso e cheio de aventuras. “O espaço sideral é de uma beleza indescritível que só nós, na nossa geração, podemos apreciar em sua totalidade”, afirma o jornalista e tradutor Jorge Luiz Calife. “No planeta Netuno, chovem diamantes – as pressões no fundo da atmosfera são tão grandes que esmagam as partículas de carbono até transformá-las em poeira de diamante. A maioria das estrelas que vemos no céu à noite são sóis e muitas são sóis múltiplos. Zeta, da constelação de Peixes, é uma dupla de sóis, um vermelho e outro azul. Isto quer dizer que se alguém andasse na superfície de um planeta desse sistema, seu corpo projetaria duas sombras, uma azul e outra vermelha. E, no mundo de sóis múltiplos, os arco-íris são duplos, triplos, dependendo do número de sóis no céu.”

Autor de Como os astronautas vão ao banheiro?, Cecília no mundo da lua e Espaçonaves tripuladas, uma história da conquista do espaço, entre outros livros, o jornalista conta que, na gravidade zero de uma estação espacial, é possível flutuar no ar como um anjo ou voar como um super-homem. “Antigamente, as crianças brincavam com bonequinhos de cowboys e revólveres de brinquedo, sonhando em cavalgar pelas planícies do faroeste. Mas, depois que os homens de verdade começaram a viajar pelo espaço, as crianças passaram a brincar com modelos de naves e astronautas. O desenho Toy Story captura esse momento, com a história do menino que tem um boneco cowboy, o Woody, e ganha um boneco astronauta, o Buzz Lightyear, que vive aventuras no espaço sideral. Nós já éramos fascinados por esse tema desde que os russos lançaram, em 1957, o Sputnik 2, satélite que levava uma cachorrinha, a Laika. Nas histórias em quadrinhos do Flash Gordon, ele viajava pelo espaço com sua noiva Dale, eles saíam da nave com aquelas roupas cheias de equipamentos, flutuavam sem peso, passeavam pela superfície da Lua e, de repente, tudo aquilo começou a aparecer na primeira página dos jornais: Gagarin, Leonov, Neil Armstrong passaram a viver na vida real as aventuras do Flash Gordon – Armstrong e Aldrin pousando no mar da Tranquilidade e usando um pequeno módulo, o ‘besouro’, para voar sobre a superfície da Lua.”

Desmistificando os mitos
Existem muitos mitos em relação aos astronautas. Acredita-se que eles são pessoas frias e sem imaginação, que se alimentam de pílulas e pastas, que precisam usar fraldas porque não podem ir ao banheiro, que ficam “loucos” depois de viajar pelo espaço e outras inverdades divulgadas por filmes de ficção. Calife, que já entrevistou vários astronautas russos e norte-americanos, diz que é tudo bobagem: “O astronauta é uma pessoa como nós, que apenas tem um emprego que exige que ele viaje pelo espaço uma vez por ano. A única diferença é que é imprescindível ter boa saúde e manter a forma física. A Nicole Stott, por exemplo, que fez parte da tripulação da Discovery na missão que terminou em fevereiro passado, é uma mulher comum, engenheira, casada.”

Segundo ele, é impressionante o fascínio que os astronautas exercem sobre os jovens. “Isso porque eles viajam para lugares maravilhosos e veem coisas que ninguém mais vê. A Estação Espacial Internacional dá uma volta em torno da Terra a cada 90 minutos. E, nesse período, é possível ver o sol nascer e se pôr, as luzes das cidades, as cores dos mares e os continentes, os relâmpagos ‘saltando’ entre as nuvens de tempestade. E, quando as naves passam perto do círculo polar, elas sobrevoam a aurora boreal com suas cortinas de luz fluorescente. Os astronautas são fascinados pela beleza que veem lá de cima. A norte-americana Ellen Ohoa, que integrou a missão da nave Discovery, disse que a fotografia não capta todas as nuances de cores que o olho humano vê. As fotos da Terra vistas do espaço são uma pálida reprodução daquilo que os astronautas admiram pela cúpula de observação da nave espacial.”

Mais leituras para viajar no espaço

Astronauta por um dia, de Dorling Kindersley
Buracos negros, de Heather Couper
O cosmo de Einstein, de Michio Kaku
A dança do Universo, de Marcelo Gleiser
Poeira das estrelas, de Marcelo Gleiser
Mais sensacional – Guia intergaláctico do espaço, de Carole Stott

A Revista Platero é uma publicação produzida pela ML Jornalismo para a Livraria Martins Fontes

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