Uma avaliação inédita do agronegócio

O futuro do agronegócio no Brasil no contexto de um modelo de produção sustentável foi o tema do estudo Focus/Visão Brasil, desenvolvido pelo Funbio – Fundo Brasileiro para a Biodiversidade em parceria com o Instituto Arapyaú de Educação e Desenvolvimento Sustentável. De maneira inédita, foi efetuada uma análise integrada dos setores mais importantes em termos de ocupação territorial e de exportação: pecuária, soja, cana-de-açúcar e florestas plantadas. Esses setores ocupam mais de 235 milhões de hectares, o que representa 83% da área utilizada por atividades agropecuárias no Brasil.

“O trabalho aponta que o agronegócio é um dos pilares de sustentação da balança comercial positiva brasileira, trazendo divisas para o país”, afirma a bióloga Fernanda Marques, da Unidade de Gestão de Programas do Funbio. “Entretanto, é importante torná-lo mais sustentável, reduzindo seus impactos para a biodiversidade e para o meio ambiente, levando em conta ainda as questões sociais”.

Este foi o objetivo do Focus, que identificou, para cada um dos setores, ações e práticas visando à sustentabilidade. “No caso da soja, por exemplo, uma das grandes recomendações para reduzir o impacto é a utilização da técnica do plantio direto, que traz benefícios para o solo e mantém a biodiversidade e a biomassa”, afirma Fernanda. Ela explica que, ao deixar os resíduos da colheita no solo, evita-se a liberação do gás carbônico nele contido, torna mais fácil a infiltração da água e o enriquecimento do solo, entre outros benefícios. O sistema de plantio direto, que diminui os custos da produção e do impacto ambiental, é desenvolvido hoje em cerca de 30% da agricultura da soja no Brasil.

Muita área para pouco gado

O estudo revela uma relação desproporcional entre a extensão territorial que envolve e os ganhos gerados pela pecuária bovina brasileira: são 199 milhões de hectares que abrigam um rebanho de 200 milhões de cabeças de gado. Ou seja, ¾ da ocupação territorial para uma produção que corresponde a menos de 20% do total. “Vários segmentos da cadeia agropecuária têm participado dos debates, desde o pequeno produtor, passando pelo frigorífico, o banco e o varejo, exatamente para discutir e viabilizar formas de produção que reduzam o impacto”, ressalta a bióloga.

Uma das conclusões é que a redução das pressões socioambientais depende, em grande parte, de mudanças profundas nas políticas econômicas que orientam a oferta de créditos, de incentivos fiscais e técnicas de aperfeiçoamentos no sistema de produção. “Um dos modelos de produção mais eficientes e menos impactantes é promover a integração lavoura-pecuária, que permite aproveitamento mais intensivo das áreas de cultivo e de pastagens”, comenta Fernanda. A ideia é recuperar áreas degradadas de pastagem com o cultivo de grãos, intercalando as duas atividades, reunindo diferentes setores produtivos numa mesma área.

O estudo destacou também que o Brasil já dispõe de técnicas comprovadas e relativamente simples para aumentar a produtividade da pecuária bovina, como o melhoramento genético e de pastagens. O maior empecilho ao desenvolvimento do setor é a inexistência de educação básica no meio rural que apóie a capacitação técnica. Ainda assim, o país é o segundo maior exportador de carne bovina do mundo. Em 2010, exportou 1,8 milhão de toneladas, num total de U$ 4,8 bilhões, um aumento de 16% em relação ao ano anterior.

Fernanda Marques: "É um desafio continuar promovendo o desenvolvimento de maneira sustentável"

Fernanda Marques observa que, nesse rodízio, devem ser incluídas também a cana-de-açúcar e a silvicultura. “Soja, cana, silvicultura e pecuária são os grandes representantes do agronegócio. A soja, pela sua relevância na balança comercial – o Brasil é um dos maiores exportadores de soja e o segundo produtor mundial, só superado pelos Estados Unidos. A cana-de-açúcar é uma área estratégica para o etanol, os biocombustíveis em geral, que têm sido a aposta do país há mais de duas décadas.

A pecuária também é muito importante, assim como a silvicultura. É um desafio buscar formas de continuar promovendo o desenvolvimento desses setores de maneira sustentável, diminuindo o impacto ambiental. É fundamental conciliar desenvolvimento com preservação. O negócio que não leva em conta questões sociais e ambientais nos dias de hoje não prospera diante das tendências mundiais. É um posicionamento estratégico, o mercado exige, os consumidores demandam.

O jornal Sobloco Informa é uma publicação produzida pela ML Jornalismo para a Sobloco Construtora S.A.

 

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