A PRAZEROSA DESCOBERTA DOS LIVROS

Quem quer casar com a Dona Baratinha, que tem dinheiro na caixinha? Há uma grande possibilidade de a simpática anedota da Dona Baratinha despertar a memória afetiva dos adultos que tiveram a chance de conhecê-la na infância. Ou, quem sabe, venha à tona uma vaga lembrança do pequeno delírio infantil produzido ao ouvir: Cadê o docinho que estava aqui? O gato comeu! “É consenso hoje em dia que o despertar para a leitura pode se dar já nos primeiros meses de vida da criança, através de livros de plástico ou de pano e, principalmente, da contação de histórias”, observa o escritor Luiz Raul Machado, especialista em literatura infantil.

Embora incontestável, o argumento sobre a importância do contato desde cedo com a literatura deixa dúvidas quanto aos meios de se promover esse encontro de forma natural, acompanhando cada fase do desenvolvimento infantil. A professora Izaura da Silva Cabral, mestre em leitura e cognição, lembra que a relação da criança com o livro deve ser, acima de tudo, prazerosa. “Os bebês podem ter livros de plástico, tecido, emborrachados, com fantoches, seja no banho ou nas brincadeiras, o que importa é que o momento seja de prazer e que a criança queira repeti-lo sempre”, destaca. “Livros sem palavras são muito válidos nessa fase, já que permitem que a criança interprete a imagem e produza seu texto, mesmo que oralmente. Quando ela souber ler, conseguirá desvendar sozinha o fantástico mundo dos livros. A partir daí, todo tipo de leitura é válido: poesias, narrativas, histórias em quadrinhos…”

Nesse universo de possibilidades, o que distingue a literatura infantil de outras formas literárias? “Na definição precisa de Ana Maria Machado, a literatura infantil é aquela que também pode ser lida pelas crianças”, assinala Luiz Raul Machado. “Os adultos sensíveis se emocionam com o bom livro infantil e as crianças às vezes se apropriam de textos escritos para adultos. Isto se deu, por exemplo, com As viagens de Gulliver, especialmente no episódio de Lilliput (que criança não se fascina com a possibilidade de seres minúsculos dominarem um gigante?). Mas há uma distinção de territórios: temas, vocabulário e tratamento próprios dominam a chamada literatura infantil.”

Para Izaura Cabral, uma criança pode perfeitamente ler uma obra adulta e gostar, porém existem algumas características que permitem uma maior identificação desse leitor com a leitura, como a presença de protagonistas crianças, fantasia e realidade em um mesmo plano, personagens animais (como os bichos de estimação), o nonsense, a escolha de adultos como personagens secundários, apenas para permitir a verossimilhança do enredo. A professora defende que a obra deve ser rica em figuras e apresentada na linguagem conotativa. “A criança se identifica com repetições, com os exageros das hipérboles (o patinho estava “morrendo” de saudades da mamãe) e até mesmo com a imitação da forma de falar infantil, com as metáforas, enfim, a experiência deve ser uma grande brincadeira com as palavras.”

Quanto aos benefícios desse mergulho precoce no universo literário, Izaura cita o desenvolvimento de funções psicológicas, como a memória e a capacidade de estruturar informações, o enriquecimento do imaginário e do vocabulário, maior grau de compreensão e interpretação. “A leitura em voz alta desperta a sensibilidade para diferentes formas da fala e desencadeia o efeito da atenção seletiva – a capacidade de se desligar de outras fontes de estímulo, mantendo a criança concentrada em uma só atividade por longos períodos”, esclarece. Em sua opinião, o texto literário infantil deve trazer uma realidade verossímil, que proporcione identificação e contribua para desenvolver a capacidade da criança de resolver problemas e fazer escolhas, construindo um leitor autônomo tanto no plano da leitura como no plano da vida. “Os livros representam literariamente medos, dificuldades, problemas, conflitos. Tendo desde cedo contato com essa humanidade representada na literatura, o leitor crescerá em sabedoria.” A conclusão de Luiz Raul Machado para este tópico é iluminadora: “Escolher a história que quer ouvir – e depois ler – é um fantástico exercício de liberdade. A criança leitora prepara o cidadão pensante, crítico e participante. Ler realmente alimenta a inteligência. É o famoso ‘pão do espírito'”.

Os livros de banho Box Peixonauta e O banho de Mimi, da Coleção Baby Einstein, estão cheios de ilustrações coloridas para levar muita diversão na hora do banho. Livros de tecido, como Adivinha quanto eu te amo – O livro fofinho e Cãezinhos e Gatinhos, encantam os bebês porque permitem sentir texturas através do tato. Peixinho quer brincar e Abelhinha quer brincar são livros-brinquedo para serem lidos em voz alta, repletos de rimas. Vamos brincar de roda inclui um CD, onde a dupla Palavra Cantada leva qualidade para a música infantil, e um livro com brincadeiras. A Série Bolinha mostra as aventuras e experiências de um cãozinho que está desvendando o mundo. Elaborada para que adultos e crianças possam interagir e fazer descobertas juntos, a série Bebê Mais traz os livros Números; Vogais; Formas; Casa; Bichos e Cores, com temas que são muito importantes para os primeiros anos de vida e o desenvolvimento intelectual e emocional dos pequenos.

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