A incrível fábrica de brinquedos


Já imaginou uma fábrica de brinquedos onde os “operários” são as crianças, usando capacete e crachá? O sonho do ilustrador Ricardo Girotto, tornou-se realidade: ele implantou uma verdadeira linha de produção na escola Pueri Domus, em Santo André, com mesinhas, cadeiras, tapete de borracha e painéis supercoloridos. Os trabalhadores são os próprios alunos. E a matéria-prima utilizada é tudo aquilo que se tem em casa e não vai usar mais, como tampa de garrafa, o rolinho do papel higiênico, garrafa pet, carretel de linha, caixa de pasta de dente…

O projeto foi um sucesso tão grande que acabou virando livro: Fábrica de brinquedos, lançado em agosto na Bienal do Livro. Enfocando datas comemorativas, a obra ensina, passo a passo, a fazer brinquedos com materiais reciclados. São 12 sugestões, uma para cada mês do ano, com textos curtos, ilustrações e muitas fotos. Para o Dia do Astronauta, 9 de janeiro, mostra como fazer um móbile do sistema solar com uma tampa de caixa de pizza, fios de náilon e bolas de papel toalha. Para o Carnaval, apresenta o mamulengo, aquele boneco gigante tradicional sobretudo nas festas de cidades pernambucanas, como Olinda e Recife, com um rolinho de papel higiênico, tampas de vários produtos e um palito de churrasco. Ensina até a montar uma escola para comemorar o Dia da Escola, em 19 de março, com uma caixa de sapatos, caixas de fósforos vazias e palitos de churrasco. No Dia da Mentira, nada como confeccionar um Pinóquio bilboquê, com um frasco de detergente, um pote de iogurte, um rolinho de papel higiênico e uma tampa de garrafa pet. Tudo isso e muito mais, para fazer a alegria da garotada.

Segundo Girotto, as crianças adoram essas ideias. “Elas sempre falam: não vai ficar assim, igual ao do livro, mas nem é este o objetivo. Cada criança tem sua característica, seu toque pessoal. Não é para ficar igual ao que está aí. Cada um deve fazer do jeito que achar melhor, inventar os brinquedos, usar o material que tem em casa. O livro traz apenas sugestões. O importante é soltar a criatividade. Aliás, o intuito do livro é estimular a criança a desenvolver a criatividade, a habilidade manual, o senso estético e o cuidado ambiental. Neste ponto, elas acabam sendo melhores que os próprios adultos, têm um senso de preservação muito maior e até dão bronca nos pais quando veem desperdício”.

Tendo ilustrado uma centena de livros infantojuvenis, entre os quais a Coleção Castelo Rá-Tim-Bum da Companhia das Letrinhas (Prêmio HQ Mix de Ilustração Infantil), com mais de mil desenhos, e O umbigo do rei, de Marcio Thamos, e criado o personagem Pitanguá para a Editora Moderna, Ricardo Girotto conta que a fábrica de brinquedos surgiu de um desejo alimentado desde a infância: “Uma coisa que eu adorava fazer, além de desenhar, era brincar de inventar e fazer brinquedos. É a coisa mais legal que existe. Dá muito mais satisfação do que aquela peça comprada, que já vem pronta. Isso, aliás, dá para ver pela carinha da criançada quando termina um brinquedo!”

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Arquivado em Revista Platero

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