o leitor indica – COMENTÁRIOS DE MARTHA MEDEIROS

Ela é a autora de Divã, o famoso livro que não apenas cativou milhares de leitores, como acabou ganhando adaptação para o teatro e para o cinema – peça e filme estrelados com grande sucesso pela atriz Lília Cabral – e agora vai virar seriado de tevê. O público se identifica de imediato com os emocionantes relatos da personagem Mercedes, uma mulher de 40 anos que expõe, no decorrer de suas sessões de análise, os conflitos e dúvidas relacionados a questões como casamento, maternidade e paixão. Em tom intimista, fluente e bem-humorado, a escritora gaúcha Martha Medeiros aborda com leveza, embora longe de qualquer superficialidade, temas que fazem parte do cotidiano das pessoas.

Cronista semanal dos jornais Zero Hora, de Porto Alegre, e O Globo, do Rio de Janeiro, Martha escreve como se estivesse conversando numa roda de amigos, num bate-papo informal. Mas não é só na prosa que a autora se sobressai; seus poemas, bastante elogiados no meio literário, também denotam o olhar sensível de quem consegue perscrutar a alma humana e alcançar os mais secretos sentimentos. Com formação em Publicidade, ela conta que atuou por vários anos como redatora e diretora de criação de agências de propaganda, compondo paralelamente seus poemas, e diz que sua entrada no jornalismo foi circunstancial: “Um amigo jornalista levou meu texto para a redação do Zero Hora, e eles publicaram. Depois pediram outro, mais outro e, quando dei por mim, tinha uma coluna fixa”.

O amor pelas letras vem desde a infância. “Sempre gostei de ler, e minha mãe me estimulava nesse sentido. A música popular também me inspirava muito. Sou quem sou graças a meus pais e aos livros que li. Foram eles que me formaram. A literatura amplia meus horizontes, me ensina a escrever melhor, permite que eu me coloque no lugar do outro. Isso tudo influencia o jeito que a gente vive e o modo como trabalhamos”.

Entre crônicas do cotidiano e ficção, além de livros de poesia, como Cartas extraviadas e outros poemas e Poesia reunida, a escritora tem cerca de vinte títulos publicados. “Estreei em 1985 com um volume de poesias, Strip-Tease. Há um frescor nesses poemas que me encanta”, comenta. “A coletânea Trem-Bala (1999) foi o primeiro best-seller, o livro que sedimentou minha carreira. Divã (2002), que conta a história de Mercedes através de suas confidências ao analista, foi minha primeira ficção e traduz muito do meu universo íntimo. Talvez por isso contagie tanto o leitor, levando-o a se sentir como se ele próprio estivesse frente ao terapeuta”. Ela revela que tem um carinho especial ainda por Tudo que eu queria te dizer (2007) e Doidas e Santas (2008), ambos encenados no teatro. Seu mais recente livro de ficção, Fora de mim, foi editado em outubro último, ocasião em que lançou também uma agenda para 2011 com frases selecionadas de suas obras, projeto comemorativo de seus 25 anos de carreira.

Interessada e antenada em tudo o que acontece ao seu redor, é nas situações do dia a dia que Martha Medeiros encontra inspiração para escrever. “As ideias podem surgir durante uma caminhada, um papo com uma amiga, na leitura de um livro ou num acontecimento prosaico qualquer. E também do cotidiano, onde acontece bastante coisa…” Para os leitores da Revista Platero, selecionou alguns livros que considera marcantes:

A nova mulher e Mulher daqui pra frente, de Marina Colasanti, publicados no início dos anos 80. Estes dois livros foram fundamentais para eu me transformar na mulher que sou hoje.

Fome, de Knut Hamsun. Li quando era adolescente, talvez hoje esteja datado e haja um excesso de idealismo, mas foi marcante na época.

Longamente, de Erik Orsenna. Belíssimo romance francês contemporâneo.

Ensaio sobre a cegueira, obra-prima do extraordinário José Saramago.

Um ano na Provence. Foi o primeiro que li entre os inúmeros livros deliciosos de Peter Mayle.

Ensaios de Amor, de Alain de Botton, que trata com muita espirituosidade das relações afetivas atuais.

Fantasma sai de cena, como representante do meu autor preferido na atualidade, Philip Roth. Seu A Marca Humana também é sublime.

Cartas de Caio Fernando de Abreu, entra na lista como representante dos inúmeros livros epistolares que tanto me encantam. Entre eles poderia citar também A Caixa-Preta, de Amós Oz e Cartas a um jovem poeta, de Rainer Maria Rilke.

A Bíblia do Caos, de Millôr Fernandes. Um exagero de genialidade.

A elegância do ouriço, de Muriel Barbery. Inteligência, sagacidade e ternura na mesma história.

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