VIAGEM: Roteiros bem planejados

Viajar é realizar um sonho. E sonho é uma coisa muito pessoal. Alguns podem se imaginar nas ilhas gregas, assistindo ao pôr do sol em Santorini, ou então num bangalô romântico das paradisíacas ilhas Maldivas, admirando o azul incrível do Oceano Índico. Outros se encantam com maravilhas arquitetônicas, como as pirâmides do Egito ou o palácio de Alhambra, no sul da Espanha. Quem gosta de adrenalina talvez tenha como aspiração voar até a Nova Zelândia em busca de esportes radicais, enquanto os que curtem museus, exposições, lojas e programas noturnos provavelmente vão se empolgar com a ideia de ir a centros urbanos dinâmicos como Londres, Paris ou Nova York.

Para Alessandro Almeida, que atua há 25 anos na área de turismo e hoje tem sua própria consultoria, a Personal Travel (alessandro@personaltravel.com.br), identificar as preferências e os anseios individuais é o ponto inicial quando se pensa em montar um roteiro de férias. “Cada um tem seu sonho de viagem. É importante seguir esse desejo e tentar adaptá-lo à realidade, pois não há prazer maior do que ir a um lugar que se tem vontade de conhecer. A partir daí, vários aspectos precisam ser considerados, como casar a escolha do destino com a época mais adequada para visitá-lo. Aqueles que não gostam de frio devem evitar ir a Paris ou a Bariloche no inverno, por exemplo. Viajar para o Oriente Médio no período do Ramadã pode não ser a ocasião propícia, já que, durante as festas religiosas, os fiéis se abstêm de alimentos e muitos restaurantes fecham”.

Uma questão primordial é conciliar o itinerário com os recursos financeiros e o tempo disponível para viajar: “Se você sonha em ir para o Taiti, mas o orçamento está fora de suas possibilidades, vamos buscar alternativas compatíveis, como a ilha de Boipeba, na Bahia, tão linda e paradisíaca quanto a Polinésia Francesa. Da mesma forma, se você quer ir para a Índia, mas tem só uma semana de férias, talvez seja mais interessante pensar em outro roteiro, como o Marrocos, e deixar a Índia para quando tiver pelo menos 15 dias, aproveitando a oportunidade para visitar também o Nepal, que fica ao lado”.

O leque de opções hoje é imenso, e é na troca de ideias com quem tem experiência no assunto que as pessoas descobrem as variantes possíveis e definem melhor o percurso almejado. “Tudo tem de ser analisado e programado de acordo com o perfil do cliente”, diz Alessandro, que esteve em mais de 110 países, está no 10º passaporte e já voou mais de 2 milhões de milhas. “Os gostos variam muito. Uns preferem natureza; outros, vida urbana. Há os que curtem museus, galerias de arte, gastronomia, e os que preferem ficar numa praia tomando sol. É preciso sentir o momento da pessoa e buscar o tipo de viagem que se adapte ao seu perfil, lembrando sempre, no caso de casais que têm interesses diferentes, de incluir destinos que satisfaçam aos dois”.

Alessandro salienta que as publicações que abordam experiências e roteiros de viagem são fundamentais para o turista se orientar melhor. “Elas trazem referências sobre a cultura e as atrações de cada lugar, ajudam a entender a dinâmica da região que se vai percorrer. Como os livros se baseiam em vivências e pontos de vista pessoais e são voltados a públicos diversos, meu conselho é: compre publicações de diferentes editoras e autores e procure edições atualizadas, pois as coisas mudam o tempo todo. Eu compro os livros de viagem mais diversificados possíveis. Uns são mais técnicos, outros trazem relatos, há os que são mais ricos em informações e os mais visuais. Procuro mesclar minha biblioteca, pois cada um tem seu estilo, sua linha literária”.

Entre os guias mais interessantes, ele destaca o selo Lonely Planet, excelente fonte de informação internacional, que enfoca a história e a cultura de cada local; o Frommer’s, que traz dicas de pontos turísticos, hospedagem, alimentação; o renomado Le guide du routard e o novo Petit Futé, publicações francesas muito boas; e a coleção Guias Visuais Publifolha, que é riquíssima em imagens. Lembra ainda que há uma série de publicações independentes. Para os brasileiros – que estão viajando cada vez mais, conforme constata -, recomenda consultar também dicas e opiniões de autores nacionais, que talvez combinem mais com seu estilo de viagem. O que pode ser bom para um turista europeu pode não agradar a um turista brasileiro.

Coletar informações é útil e necessário, a seu ver, mas o leitor deve ficar atento e tomar aquilo como base, não como palavra final. “É bom se preparar, mas não exagere”, aconselha. “Deixe espaço para a surpresa e para o acaso. Em qualquer lugar você vai conseguir ver, aprender e vivenciar coisas muito diferentes. Aliás, é para isso que a gente viaja. Estive recentemente na Eslovênia, um país bem pequeno, e deparei com uma das paisagens mais inacreditáveis que já vi: o Lago Bled. Um lago maravilhoso, com bosques ao redor e, no meio de suas águas transparentes, uma ilha minúscula com uma igrejinha. Ainda por cima, encontrei lá uma sobremesa típica deliciosa, o bolo de Bled, de massa folhada e creme!”

“O melhor da viagem são as descobertas, o inesperado, as emoções e as histórias que você volta contando. Tudo faz parte, tanto as coisas boas quanto os imprevistos e até os contratempos. Viajar é muito gostoso, e qualquer destino é bom, desde que se vá com o coração aberto. Com algumas surpresas e um pouco de adrenalina, as férias serão inesquecíveis…”


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Arquivado em Revista Platero

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