PALAVRA DO AUTOR: Pedro Bandeira

É impossível falar de literatura nacional infantojuvenil sem citar Pedro Bandeira. Ele é o autor recordista de vendas no Brasil – mais de 20 milhões de exemplares – e um dos preferidos da garotada. Seu título mais famoso, A droga da obediência, primeiro da série Os Karas, cuja trama é um mistério policial em que os detetives são um grupo de adolescentes, participou da formação de mais de um milhão de jovens e continua fazendo a cabeça das novas gerações. Entre suas 80 obras publicadas, destacam-se as românticas histórias Minha primeira paixão e A marca de uma lágrima, que abordam os encontros e desencontros do amor; O mistério de Feiurinha, um sucesso adaptado para o cinema com Xuxa e Sasha como protagonistas; a série Meus medinhosA pequena bruxa, O pequeno bicho-papão e O pequeno fantasma – , que ajuda os pequenos a lidar com seus temores. E ainda há muito mais: Rosaflor e a Moura Torta, As cores de Laurinha, Agora estou sozinha…, Mais respeito, eu sou criança!, A menor fazedora de mágicas do mundo, A onça e o saci

Seu mais recente lançamento, Kindilín na floresta encantada, é, na opinião do próprio autor, um dos mais lindos trabalhos de arte jamais feitos em um livro no Brasil. “O mérito é muito mais do Rogério Borges, por seu brilhante trabalho como ilustrador, do que meu, como escritor”, comenta. “O Rogério levou cinco anos para fazer as 20 pranchas que compõem o livro. Não dá para descrevê-lo. É tão original, tão brilhante do ponto de vista plástico, que confirma o mote: imagens valem mais do que mil palavras!”

Criatividade não falta a esse santista que, entre outros prêmios, conquistou os cobiçados Jabuti e APCA. Para ele, todas as experiências vividas acabam sendo fortes fontes de inspiração. “Já tive ideias durante uma furiosa crise de enxaqueca, já criei um livro a partir do ganido de um cão… Todo mundo vê o que o artista vê; a diferença está na maneira de olhar. A inspiração vem também dos próprios livros que li. Algumas referências literárias me influenciaram muito, como Monteiro Lobato, Robert Louis Stevenson e Mark Twain, além do teatro e do cinema”.

Pedro Bandeira diz que até de cartas e e-mails que recebe – uma infinidade! – tira ideias para suas histórias. “Ao longo dos quase 30 anos de profissão, pude acompanhar o crescimento de muitos leitores. Recebo seus convites de casamento, depois a notícia do primeiro filho, fotos das crianças crescendo e tomando contato com minha obra pelas mãos dos pais, que dizem ter aprendido a amar a leitura por causa dos meus livros. Uma dessas leitoras começou a me escrever aos 10 anos, foi crescendo e não parou mais, falando do seu namorado, dos seus sentimentos e chegando a me confidenciar quando teve sua primeira relação sexual. Hoje ela é promotora de justiça e se tornou uma grande amiga. Algumas cartas são curiosas, como a de um menino que me pediu para lhe enviar uma bicicleta vermelha; outras são tristes, como o desabafo de uma menina que dizia que apanhava muito do pai e não sabia o que fazer”.

O autor admite que seu grande estímulo para escrever é justamente a aceitação que tem recebido ao longo dessas três décadas. “Será que meus livros agradam porque não pretendem ensinar nada? Será que é porque eu realmente penso nos meus leitores quando escrevo? Ou é porque, para mim, meus leitores são mais importantes que minha obra? Não sei… Sei apenas que é tudo muito gratificante. Trabalhar com arte é sempre prazeroso. Trabalhar com educação é ainda melhor”.

Pedro Bandeira conta que a Livraria Martins Fontes teve muita influência em sua vida. “A Martins Fontes começou em Santos, com uma loja perto da Praça da Independência, um ponto importante para nós, adolescentes do final da década de 1950 e início dos anos 60. Metidos a intelectuais, fazendo teatro com Plínio Marcos e ouvindo as conversas de Patrícia Galvão, a famosa Pagu, nós estávamos sempre às voltas com os livros, frequentávamos a livraria. Eu tinha uma conta lá. Pegava as obras, o Waldemar anotava num caderno, e eu ia pagando aos poucos, quando podia. Ele nunca cobrava, mas a gente pagava tudo direitinho, até o último tostão. Bons tempos aqueles!”

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2 Comentários

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2 Respostas para “PALAVRA DO AUTOR: Pedro Bandeira

  1. kellen

    Pelo amor de DEUS Pedro Bandeira continua pelo menos com só mais UM livro as aventuras dos Karas…
    tô quase chorando aquiii…. ;-(

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  2. cara eu ameiiii sua poesiaa Uma Palavrinha ficou demaiss
    sera q poderia Enviar mais na Escola Fransiscana Imaculada Coseição??
    Muitas No COC :D…… Te espero lá Falowww
    Pedro Forte Para Pedro Bandeira

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