MERCADO LIVREIRO – Em contato com o belo

Entrar numa livraria e percorrer as estantes e displays de livros de arte é sem dúvida uma fonte de inspiração. Independente de entender ou não do assunto, apreciar o belo agrada aos olhos e faz bem ao coração, e isso está ao alcance de todos. Cada um tem um conceito do belo, mas quem não se sente enlevado ao ver e folhear publicações de alta qualidade gráfica, com reproduções primorosas de pinturas, esculturas, desenhos e fotografias de diferentes estilos e épocas? É sempre surpreendente constatar como o ser humano é capaz de exprimir percepções, emoções e pensamentos de forma tão diversa e extraordinária.

O prazer de visitar a seção de artes, entretanto, vai muito além, quando se descobre as possibilidades que a literatura oferece de conhecer melhor esse criativo universo e ampliar os horizontes. De edições que se ressaltam pela riqueza de imagens a volumes que apresentam a biografia e a iconografia dos autores, ou trazem valiosos registros sobre a história da arte e seus movimentos ao longo dos tempos, são inúmeras as opções.

Há edições nacionais e importadas dos mais expressivos artistas, catálogos de museus brasileiros e estrangeiros, catálogos de exposições, livros teóricos para o estudo aprofundado das artes visuais, críticas e opiniões de profissionais sobre diferentes períodos e tendências, livros específicos sobre fotografia, design gráfico, arquitetura, moda… Sem falar nos vários tipos de coleções disponíveis. A editora Taschen, por exemplo, tem uma coletânea em formato condensado com mais de 50 títulos ilustrados, abordando de maneira sucinta a vida e a obra de mestres da pintura como Cézanne, Picasso, Botticelli, Caravaggio, Dalí, Monet, Rembrandt, entre outros, e uma série mais sofisticada e completa, com volumes de capa dura, que abrange nomes consagrados. Questões atuais também ocupam espaço importante nas prateleiras. É o caso da coleção Temas da Arte Contemporânea, organizada pela PhD em Arte Interdisciplinar Katia Canton, que realça a arte brasileira.

Para quem não sabe por onde começar, nem como se orientar nesse campo, Daniel Honorato, que integra a equipe especializada da Livraria Martins Fontes e tem grande experiência no assunto, sugere: “O ponto de partida é buscar referências que atendam às necessidades e ao perfil de cada um. O leitor é mais tradicional ou tem um olhar dinâmico em relação às coisas? Gosta de antiguidades ou de algo mais contemporâneo? Prefere uma arte mais performática, frequenta museus, ou quer se informar sobre alguma exposição do momento antes de visitá-la? Vamos ter a Bienal de Artes agora em setembro e outubro, por exemplo, o que motiva lançamentos de obras sobre artistas que terão trabalhos expostos. Alguns, como Amélia Toledo, Daniel Senise, Antonio Dias e Cildo Meireles, já têm várias publicações disponíveis”.

Muitos procuram livros na seção de artes para presentear alguém, conforme ressalta Daniel. Livros como objetos de desejo que, além do conteúdo informativo, são visualmente atrativos e dão charme ao ambiente. Nessa linha, uma das obras de grande repercussão é Debret e o Brasil, com o acervo fantástico do artista francês que, de 1816 a 1831, se dedicou a retratar o Brasil. Entre as que se diferenciam pelo projeto gráfico, vale destacar A vida secreta das árvores, com reproduções em silk-screen, feitas artesanalmente, de gravuras da tradição gonde, da Índia central, onde as árvores são consideradas o centro da vida. E há livros que enfocam estilos artísticos, como A história do Impressionismo; a coleção Movimentos da Arte Moderna; Renascimento e Expressionismo (Coleção Basic Genre).

Se o intuito é conhecer a evolução da arte, há opções para vários níveis, a começar pelos principiantes. História da arte ocidental – Da pré-história ao século 21, da editora Rideel, é uma obra introdutória, que destaca os principais aspectos de cada estilo e traz desde pinturas rupestres e arte antiga até o impressionismo, pós-impressionismo e modernismo, chegando ao final do século 20. O livro da arte, da Phaidon Press, do gótico à pós-modernidade, reúne os 500 pintores e escultores mais importantes. A nova História da Arte de Janson, com mais de mil páginas, apresenta o vasto mundo da arte ocidental para quem quer se aprofundar no tema.

“Livros de arte têm muito a ver com a busca interior de cada um”, diz Daniel. “Um dos grandes benefícios desse tipo de literatura é treinar um pouco mais o olhar das pessoas e aguçar sua percepção para que possam observar melhor os trabalhos artísticos. A literatura permite inclusive um distanciamento que facilita a compreensão de determinados períodos e conceitos. No contexto contemporâneo esse diálogo fica mais complexo, embora algumas editoras como a Phaidon, a Thames and Hudson e a brasileira CosacNaify já estejam efetuando a aproximação dos novos expoentes com o público. Isso é importante, pois quanto mais conhecimento se tem sobre a trajetória e a proposta de um artista, mais intenso é o prazer da apreciação de sua obra.”

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Arquivado em Revista Platero

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