Cãoportamento – Um convívio gostoso e saudável

Para aqueles que desejam dar e receber amor, nada melhor do que ter um cachorro. Companheiro fiel, ele é uma fonte inesgotável de atenção e carinho, sempre disposto a brincar e alegrar o ambiente. Antes de adotar um cachorro, entretanto, é importante conhecer um pouco mais sobre o universo canino. As informações possibilitam entender o modo de raciocinar e as reações desse animal inteligente e descobrir maneiras eficazes de se comunicar com ele.

“O primeiro passo, quando se pensa em adquirir um cão, é pesquisar o temperamento, as necessidades e os cuidados que ele vai exigir. É importante saber, por exemplo, que raças de pelo curto costumam soltar mais pelos que raças de pelo longo”, diz a veterinária Claudia Terzian, que integra a equipe do Cão Cidadão (www.caocidadao.com.br), de Alexandre Rossi, atuando como adestradora e consultora comportamental. “A pessoa deve levar em conta o tempo que terá para cuidar, educar e ficar junto dele e, conhecendo as características da raça, avaliar como será a adaptação ao seu estilo de vida. Embora um poodle ou um lhasa apso sejam boas escolhas para um cão de apartamento, nem todo proprietário se identifica com essas raças”.

Para Claudia, o tamanho do local é menos relevante do que o contato com as pessoas. Estar com o dono num ambiente pequeno, com muitos brinquedos e objetos que o distraiam, é melhor do que estar num local grande com poucos estímulos e sem companhia. “O importante é organizar um ambiente divertido para o cão, principalmente nos momentos em que ele tem de ficar sozinho”, observa. “Mas eu desaconselharia deixar cães muito ativos, como labrador e border collie, sozinhos durante muitas horas num local pequeno”.

Cuidados inadequados, segundo a veterinária, muitas vezes acabam levando a desvios de comportamento que desgastam a relação entre o dono e seu pet. Alguns dos erros mais frequentes: deixar o animal isolado e sem brinquedos; colocar o “banheiro” perto da cama e da comida – as pessoas costumam colocar tudo junto na área de serviço, e aí o cãozinho vai fazer suas necessidades na sala e nos quartos, bem longe da sua caminha -; dar broncas ou até bater em situações que ele não consegue compreender o motivo. Essas atitudes acarretam problemas como sujeira fora do local correto, destruição de objetos, ansiedade e agressividade. E o proprietário acaba ficando frustrado por não ter controle sobre o cão.

Ela comenta que alguns donos tratam o cachorro como gente e criam expectativas impossíveis de um animal corresponder. Atribuem sentimentos, consciência e moralidade humana ao cão, achando que ele urina no local incorreto por birra, vingança ou mágoa, ou que é capaz de entender que pular numa criança ou num idoso pode machucar. Tentam até conversar com ele e explicar detalhadamente o que não deve fazer, esperando que ele compreenda e não repita o comportamento.

Melhorar a comunicação entre o dono e seu cão é uma das principais funções do consultor comportamental, conforme ressalta Claudia, que já vivenciou várias situações curiosas e costuma ter retornos gratificantes com os adestramentos. Ela conta o caso de uma golden retriver que era excessivamente medrosa. “No início do treino, ela se recusava a sair do portão para passear, tinha muito medo de pessoas e de outros cães. Por meio de técnicas como dessensibilização e contracondicionamento, ela foi sendo exposta gradualmente, com estímulos agradáveis – petiscos, carinho e atenção -, às situações que temia e, aos poucos, foi ficando mais segura. As últimas aulas foram feitas em uma praça, onde além de correr com outros cachorros ela venceu o medo de crianças e passou a brincar com elas, principalmente quando tinham uma bola… A dona não acreditava que isso fosse possível”.

A leitura, a seu ver, é muito útil para conhecer as necessidades do cão e aprender a lidar de forma adequada com suas reações, dando bronca no momento certo e premiando o bom comportamento. A qualidade do convívio melhora muito. Claudia participou da revisão de conteúdo da nova edição ampliada do livro Adestramento Inteligente, de Alexandre Rossi, sucesso de público há vários anos. O livro tem uma linguagem simples, de fácil compreensão e, ao mesmo tempo, é completo em informações. Fala do desenvolvimento do cão, de educação, de como agir nas diferentes situações, trazendo conceitos que são a base da boa comunicação, como amor incondicional, troca e atenção.

“Esses conceitos podem ser usados tanto para educar um filhote quanto para corrigir um cão adulto”, ressalta. “Muitas pessoas acreditam de forma errônea que um cão adulto não pode ser modificado. Embora seja mais fácil educar um filhote do que corrigir um adulto, o resultado final depende mais do tipo de problema e da postura e comprometimento do proprietário. Meu aluno mais velho tem 14 anos!”

Deixe um comentário

Arquivado em Revista Platero

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s