Ricardo Yazbek fala sobre a capacidade de reconstrução da indústria imobiliária do Oriente Médio

A seguir, Ricardo Yazbek, presidente da Fiabci Brasil, fala sobre a missão de empresários da indústria imobiliária nacional em países do Oriente Médio para saber como funciona o mercado nesses locais e como fazem para reconstruir cidades que estão em constante conflito.

Internacional

Uma incrível capacidadede recuperação

RICARDOYAZBEK: “Essas experiências podem servir de modelo para as recuperações no Brasil”

Empresários da construção civil constatam a agilidade dos países do Oriente Médio

Unir o útil ao agradável. Foi com esse intuito que uma delegação de 39 pessoas, empresários ligados à construção civil, visitou, em fevereiro, alguns países do Oriente Médio, entre os quais o Líbano e Israel. Organizada pela Fiabci Brasil – Federação Internacional das Profissões Imobiliárias, a viagem propiciou aos participantes conhecer as atividades e os investimentos imobiliários locais, ver como funcionam esses mercados e ainda visitar marcos históricos, artísticos e arquitetônicos.

O ponto inicial foi o Líbano. “Ficamos surpresos com a pujança da economia do mercado imobiliário num país que vive uma situação de extrema fragilidade”, conta Ricardo Yazbek, presidente da Fiabci. “Paradoxalmente, o Líbano tem hoje um PIB de 30 bilhões de dólares e depósitos bancários superiores a 100 bilhões de dólares. É uma dinâmica empresarial incrível. Uma nação sucessivamente abalada por guerras internas e externas tem um dinamismo de reconstrução extraordinário. E é aí que se insere o mercado imobiliário”.

Após a guerra de 2006, pôde ser constatado um excelente trabalho de reconstrução, como observa o presidente da Fiabci. Na capital, Beirute, foi criada, com o apoio estatal, a companhia privada Solidere, para que o estado e a iniciativa privada, juntos, ajudassem na reconstrução do país. “O trabalho que está sendo realizado abrange a área central da cidade, cerca de um milhão e oitocentos mil m², dos quais 600 mil m2 são aterros no Mar Mediterrâneo. Inclui a construção de prédios modernos com 30 andares, shopping centers belíssimos, parques, escritórios e lojas. Para se ter uma ideia, em São Paulo, que é a terceira cidade do mundo, com 11 milhões de habitantes e uma região metropolitana com 22 milhões de habitantes, não conseguimos sequer levar adiante o Projeto Nova Luz, a antiga Cracolândia, que abrange uma área de apenas 160 mil m2. A diferença: vontade política, incentivo às parcerias público-privadas e investimentos”.

A Solidere pretende começar a atuar também fora do Líbano. “O presidente da empresa já está programando uma visita ao Brasil”, comenta Yazbek. “Nós apresentamos o país lánum seminário da Câmara de Comércio e IndústriaLíbano-Brasil, mostrando as várias regiões e suas potencialidades, ao mesmo tempo que pudemos conhecer os projetos e o que está acontecendo no Líbano. Com isso, almejamos viabilizar um intercâmbio entre as duas nações”.

O“milagre” da multiplicação da água

O que mais chamou a atenção da delegação brasileira ao chegar em Israel foi encontrar praticamente só pedra e areia. “Com exceção do pequeno Rio Jordão, que vem das Colinas do Golan, na Síria, e desemboca no Mar Morto, não há água em Israel”, constata Ricardo Yazbek. “Com toda essa aridez, no entanto, o país é um dos grandes produtores e exportadores de frutas e verduras, graças à irrigação. A necessidade fez com que os israelenses aprimorassem o tratamento de água, a dessalinização, as técnicas de reaproveitamento. Além disso, como lá tem bastante sol, eles desenvolveram uma tecnologia muito forte de energia solar, que está se tornando importante também para nós aqui no Brasil. O segmento de habitações populares, por sua vez, é bem avançado justamente porque, com as constantes migrações, eles tiveram de implantar residências em prazos curtos”.

Também a capital de Israel, Tel Aviv, está se reformulando e se revitalizando, com grandes empreendimentos e novas ocupações. “O mercado imobiliário israelense é pujante e tem preços elevados”, afirma Yazbek. “Vimos revitalizações conduzidas pelo setor privado e também pelo setor público. Constatamos ainda que é um país com muita vontade de se abrir e se mostrar para o mundo. O governo israelense, como plano estratégico para os próximos anos, elegeu quatro países como foco de atuação externa: Brasil, Japão, China e Índia. Foi por isso que recebemos o convite para levar uma missão empresarial da construção para lá”.

Ricardo Yazbek finaliza ressaltando, como os grandes ensinamentos dessa missão, a experiência da Solidere, no Líbano, que pode ser útil como modelo ou pelo menos como um aprendizado para levar avante as questões de recuperações no Brasil. E, em Israel, a experiência das empresas de tecnologia, que pode ser aproveitada para nossa indústria da construção. “Esse mesmo apelo de sustentabilidade e preservação do planeta já está presente entre nós”.

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