PESSOAS QUE DERAM A VOLTA POR CIMA

“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois inquieta. O que ela quer da gente é coragem.
Guimarães Rosa

Portador da síndrome de Hanhart, uma doença rara que fez com que nascesse sem os braços e sem as pernas, Marcos Rossi é um exemplo de que uma deficiência não é impedimento para se desempenhar um papel ativo na sociedade. Formado em Direito, casado e pai de dois filhos, ele trabalha em um grande banco e percorre o Brasil em sua cadeira de rodas motorizada para ministrar palestras, mostrando que o potencial humano é ilimitado. Nas horas de lazer, ainda toca em escola de samba, canta em banda de rock e pratica mergulho, entre tantas outras atividades. “É como um círculo a vida”, afirma. “Sou feliz porque faço o que gosto, faço o que gosto porque a minha felicidade atrai a possibilidade de fazê-lo”.

Tudo ia bem na vida da paranaense Christiane Yared, casada, mãe de três filhos e, juntamente com o marido, proprietária de uma das mais premiadas confeitarias do país. Até que, numa noite de maio de 2009, seu filho Rafael, então com 22 anos, morreu num acidente de automóvel provocado por um deputado bêbado que dirigia a mais de 190 km por hora. A partir de então, ela passou a conviver não só com a tristeza da perda do filho mas também com as “maquiagens” que foram feitas no local do acidente e no inquérito para minimizar a culpa do influente político.

“Parei de chorar e fui à luta”, lembra Christiane. “Aliás, não parei, choro até hoje e chorarei o resto da vida de saudades do Rafael. Enchi o peito de força, dessas que a gente não sabe de onde vêm – somente Deus e minha fé Nele para explicar -, e fui em busca de justiça. Não desisti, não me prendi à dor da perda, tampouco da injustiça que estraçalha meu coração”. Ela arregaçou as mangas e criou uma ONG para auxiliar mães que perderam seus filhos. “Creio que a morte vence quando ela entra na tua alma e te mata junto. Daí você passa os dias deprimida, num quarto escuro – nega qualquer manifestação da vida para chorar o filho morto. Ora, você pode chorar teu filho e dar continuidade à tua família, ao teu trabalho e, o que é mais importante, fazer diferença no mundo, mudar o que está errado”.

Estas são algumas das dez histórias verídicas enfocadas no livro A coragem que vem de dentro – Histórias de pessoas que superaram grandes traumas, da jornalista Staël Gontijo. A escritora entrevistou cada uma dessas pessoas para mostrar suas trajetórias, de que maneira elas deram a volta por cima e, com muita perseverança e coragem, superaram as adversidades, dando um novo rumo às suas vidas e auxiliando os outros a vencer desafios semelhantes. Com uma narrativa leve, apesar da profundidade do tema, ela transmite histórias de superação, desnudando indivíduos que solucionaram seus problemas de maneira admirável, transformando suas vidas num exemplo a ser seguido.

Para escrever este livro, Staël pesquisou muito para entender o que é superação e aprender os seus mecanismos. “Não sei o que os psicólogos e os psiquiatras que conheci pensam a respeito do poder que tem a história de alguém na vida de outro alguém”, ressalta a autora. “Mas estou convicta de que o exemplo exerce poder incrível na nossa vida. Talvez seja por isso que ainda lemos Pinóquio e Os três mosqueteiros aos nossos filhos, quem sabe! Ouvir as pessoas falarem de seus desafios e a maneira como os superaram é encorajador, uma espécie de elixir para a alma. (…) Uma história, com seus altos e baixos, dramas e sofrimentos quase intransponíveis, tem a capacidade de mexer fundo conosco e nos obrigar a questionar a nossa coragem adormecida. (…) Superar é possível, basta acreditar”.

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3 Comentários

Arquivado em Revista Platero

3 Respostas para “PESSOAS QUE DERAM A VOLTA POR CIMA

  1. dar a volta por cima e superar os problemas .!!!

  2. Nikolas Mathers

    curioso eu achar essa matéria….ontem na aula de teatro, aprendemos a libertar nossa mente, e controlas o raciocinio….só por que um monte de gente reclama, e desiste, VOCÊ NÃO PRECISA FAZER O MESMO!

  3. Deli Sabino

    Sem dúvida estou convicta que essa é uma realidade muito próxima de todos, falo de problemas sociais, porém o que parece muito distante são as soluções, principalmente quando se trata de partir de nós mesmos.

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